Ao dizer que o eventual caixa 2 na sua campanha é um assunto do PT, a
presidente afastada aponta pela primeira vez a responsabilidade para o
seu próprio partido.
Com a afirmação dada ontem, Dilma já deixa a porta aberta para
responsabilizar o PT por eventual dinheiro irregular na campanha à
reeleição. Desde a eleição para presidente em 2010, Dilma começou a se
distanciar do PT.
Com a reeleição, ignorou o partido e levou para
ministros palacianos políticos com os quais tinha amizade e se afastou
ainda mais do PT.
Diante do provável impeachment, a presidente faz agora uma ação
preventiva para tentar preservar a sua biografia e deixar a conta da
corrupção para o PT e o ex-tesoureiro do partido João Vaccari.
Dilma afirmou que, como a dívida de campanha foi paga em 2013, três
anos depois, isso já era um problema jurídico e econômico do partido. É
uma resposta ruim, de quem busca fugir de suas responsabilidades.
A presidente sempre argumentou que pagou quantias significativas para
Santana fazer as campanhas e que, portanto, não se justificava a ideia
de que teria havido caixa 2.
Ou seja, já havia pago caro e o suficiente.
Diante da confissão do marqueteiro sobre 2010, ela agora jogou o
problema diretamente para o PT.
A presidente fez isso porque sabe que virão mais revelações de
Santana e de executivos de empreiteiras falando de caixa 2 na campanha
de 2014.
Marcelo Odebrecht sustentará, de acordo com os investigadores,
que a alertou em 2015 sobre a possibilidade de a Lava-jato descobrir que
houve caixa 2 na campanha dela em 2014 por meio de pagamentos no
exterior.
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