ONU prevê sucessivos recordes de temperatura até 2030

 

ONU prevê sucessivos recordes de temperatura até 2030

ONU afirma que onda registrada ainda na primavera no hemisfério norte deve servir de "lembrete brutal" dos impactos da crise climática
28/05/2026 | 05h00 

Jamil Chade
Jamil Chade

Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.


Nesta semana, ao entrar em vivo na programação do ICL Notícias, um problema técnico desligou minha conexão. O problema não foi a rede de celulares na Suíça. O problema era o sol e o calor de mais de 34 graus Celsius. O aparelho não suportou a elevada temperatura.

Longe de ter sido um caso isolado, o que vivi foi o resultado de uma onda de calor que colocou o maio de 2026 como o mês de maio mais quente jamais registrado no continente. Mais um recorde para uma década que já se acostumou a momentos inéditos.

Num novo informe publicado nesta quinta-feira (28), a ONU alertou que os próximos cinco anos continuarão a ver uma alta das temperaturas no mundo.

Entre 2026 e 2030, pelo menos um ano baterá o recorde de temperatura no mundo que havia sido estabelecido em 2024.

De acordo com o levantamento, os onze anos mais quentes da história foram registrados desde 2015.

Em regiões da Alemanha as autoridades passaram a pedir aos habitantes que evitem regar plantas e encher piscinas. Na Itália, algumas cidades anunciaram a proibição de trabalhos ao ar livre.

Na Espanha, as noites de primavera passaram a ter temperaturas de verão. O país deve registrar as temperaturas mais altas da onda de calor no final desta semana, com algumas áreas podendo chegar a 40°C, apesar de o verão ter data para começar apenas em um mês. Em Portugal, o temor do governo é de que fogos se espalhem.

Na França, as temperaturas chegaram a 36°C na segunda-feira, e terça-feira se tornou o dia mais quente de maio já registrado, com o país experimentando temperaturas de 10°C a 15°C acima da média para esta época do ano, segundo a Météo-France.

A capital, Paris, já havia registrado sua primeira temperatura acima de 30°C do ano no sábado, atingindo 31,9°C.

No domingo, um homem morreu durante uma corrida de 10 quilômetros na cidade, informou a Defesa Civil, embora ainda não tenha sido determinado se o calor foi a causa da morte. Uma mulher em Lyon também morreu de insolação após uma corrida competitiva. No total, sete pessoas morreram.

Londres registrou 35,1°C na terça-feira, muito acima do recorde anterior para maio, de 1944. Temperaturas recordes também foram registradas na Irlanda por uma enorme margem de mais de 2 graus.

O número de “dias muito quentes”, definidos como aqueles em que a temperatura ultrapassa os 30°C, mais do que triplicou na última década em comparação com a média de 1961-1990. Um relatório divulgado na semana passada pelo Comitê de Mudanças Climáticas do Reino Unido alertou que o país foi “construído para um clima que não existe mais”.

Entre os especialistas, o alerta é para o sinal que essa onda manda. Na França, as temperaturas são “completamente sem precedentes e histórica” para o mês de maio, afirmou o meteorologista Adrien Warnan, da Météo-France.

Para Simon Stiell, secretário-executivo da agência climática da ONU, o que está acontecendo na Europa deve servir de alerta.

“Esta última onda de calor na Europa é um lembrete brutal dos impactos crescentes da crise climática, tanto humanos quanto econômicos”, disse Stiell em um comunicado na quarta-feira. “O principal culpado é o vício mundial em queimar carvão, petróleo e gás, e destruir florestas”, insistiu.

“Esta onda de calor, impulsionada pelas mudanças climáticas, representa um duplo risco, em um momento em que a recente guerra no Oriente Médio está mostrando os custos exorbitantes da dependência das importações de combustíveis fósseis”, disse o chefe da ONU, numa referência ao aumento dos preços do petróleo e do gás devido ao prolongado bloqueio do Estreito de Ormuz.

Jamil Chade
Jamil Chade

Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.

https://iclnoticias.com.br/calor-sem-precedentes-coloca-europa-em-alerta/

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