PL quer “rifar” Castro com urgência e dá como certa conexão do caso com Flávio Bolsonaro

 


PL quer “rifar” Castro com urgência e dá como certa conexão do caso com Flávio Bolsonaro

Partido que abriga o antigo clã presidencial faz de tudo para se desvincular do ex-governador do Rio e já tem em mente que roubalheira na Rioprev se ligará ao senador e pré-candidato ao Planalto

Por: Henrique RodriguesPublicado: 26/05/2026 - às 15h59 



O pandemônio político provocado pela 8ª fase da Operação Compliance Zero abriu uma crise emergencial profundíssima na cúpula nacional do PL. Após a Polícia Federal bater à porta do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), nesta terça-feira (26), a ordem nos bastidores do partido é uma só: rifar Castro com a máxima urgência. A legenda, de forma pragmática, tenta erguer um cordão sanitário para se distanciar imediatamente do político fluminense, cujo escândalo já é avaliado internamente como um dos mais perturbadores e destrutivos da história recente do país. 

A Fórum apurou que a direção do PL quer que Castro tome a iniciativa rápida de desistir de sua natimorta candidatura ao Senado, ou a legenda o fará de forma oficial e pública, ampliando sua humiliação. O ex-governador, que já havia sido condenado à inelegibilidade pelo Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder político e econômico, insistia em manter a postulação sob o risco de impugnação. Agora, diante da devassa da PF em sua cobertura na Barra da Tijuca, que resultou na apreensão de dois celulares, aliados e correligionários admitem que a permanência dele na corrida eleitoral tornou-se completamente insustentável. 

O maior dos pesadelos: A conexão com o “zero um

O pânico que paralisou os gabinetes do PL em Brasília e no Rio não se resume à ruína política de Cláudio Castro. O verdadeiro gabinete de crise foi acionado porque a cúpula do partido já dá como certa a conexão direta do esquema com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os investigadores da Polícia Federal trabalham com uma linha de apuração explosiva: a de que os R$ 61 milhões repassados pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao “zero um”, em um acerto que, segundo as investigações, deveria chegar a R$ 134 milhões sob o pretexto de financiar um filme biográfico sobre Jair Bolsonaro, seriam, na verdade, uma contrapartida direta pela bilionária operação de socorro ao Banco Master capitaneada pelo governo fluminense.

A tese da jogada ensaiada aponta que o Rioprevidência injetou R$ 3,69 bilhões em dinheiro dos servidores públicos estaduais para salvar a instituição financeira de Vorcaro em troca de vantagens indevidas que irrigaram o clã presidencial.

Uma relação criminosa Além do limiar institucional

O pânico partidário ganhou contornos de certeza jurídica após a queda do sigilo dos autos da investigação. Os documentos da PF revelam que a proximidade entre o banqueiro e o ex-governador do Rio foi o fator determinante para viabilizar o desvio da fortuna pública. O texto judicial é inequívoco ao apontar o dolo na conduta dos envolvidos, destacando que a relação de Daniel Bueno Vorcaro e Cláudio Bomfim de Castro e Silva trazida aos autos ultrapassou o mero contato institucional, alcançando indícios concretos da ocorrência de tratativas ilícitas que viabilizaram a captação de um total de R$ 3,691 bilhões em investimentos no Banco Master, somando-se os montantes aplicados em fundos e letras financeiras.

A investigação detalha que os recursos do funcionalismo foram pulverizados em ativos de altíssimo risco em desconformidade com a política de investimentos do RPPS e com as exigências regulatórias. Para que o dinheiro trocasse de mãos sem levantar suspeitas imediatas, o esquema operou com alterações deliberadas nos procedimentos internos da autarquia, credenciamentos meramente formais de fachada, ausência absoluta de análises técnicas, concentração excessiva de risco e a contratação de intermediários e lobistas com o único propósito de inflar comissões e ocultar o pagamento de propinas.

Contaminação da eleição estadual e do projeto presidencial

Ao carimbar a roubalheira no Rioprevidência como um negócio de compadrio político, o escândalo provoca um efeito dominó avassalador dentro do PL. A avaliação interna é de que a figura de Cláudio Castro tornou-se altamente tóxica e passou a contaminar de forma irreversível duas frentes eleitorais cruciais para a sobrevivência da legenda nas urnas.

No cenário estadual, o caso desidrata por completo a chapa que concorrerá ao Palácio Guanabara, liderada pelo deputado estadual Douglas Ruas (PL), que agora carregará o peso político dos desvios bilionários da previdência nas costas durante toda a campanha.

Mais acima, no plano nacional, o escândalo acerta em cheio a linha de flutuação da pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. O senador, que já vinha tentando se defender publicamente das suspeitas envolvendo o suposto financiamento cinematográfico de Vorcaro, vê-se agora completamente emparedado por uma investigação que coloca o Banco Master como o elo financeiro comum entre seu patrimônioessa fortuna do “audiovisual” e a quebra do fundo de pensão dos servidores do Rio.

https://revistaforum.com.br/politica/pl-castro-urgencia-conexao-flavio-bolsonaro/

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