Contra o povo.
leosakamoto
A coreografia é conhecida.
Enquanto o país chafurdava na lama moral dos R$ 134 milhões pedidos por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro e de sua promessa de lealdade eterna ao dono do Master, o Congresso fez o que faz melhor quando ninguém está olhando: passou a boiada.
Reduziu a proteção da Floresta Nacional do Jamanxim, abrindo espaço para mineração e agropecuária naquele território, enfraqueceu a fiscalização ambiental e vendeu destruição como “desburocratização”.
Na mesma semana, aprovou uma minirreforma eleitoral com cara de anistia: dívidas partidárias parceladas por até 15 anos, regras mais frouxas para disparos em massa que manipulam o eleitorado e brechas para irrigar municípios com dinheiro público em ano eleitoral.
A coreografia é conhecida.
A mão direita aponta para o escândalo.
A esquerda mexe nas regras, desmonta controles e enfia a mão na qualidade de vida da sociedade para ajudar a sim mesmo, a amigos, familiares e patrocinadores.
Escândalos viralizam e passam.
Mas leis ruins ficam. Enquanto o Brasil discutia mensagens obscenas de poder, o Congresso trabalhou muito.
Contra o povo.