A aprovação do fim da escala 6x1 com redução de jornada e sem redução de salário, pela Câmara, é uma conquista histórica e civilizatória. - A proposta foi aprovada por 472 votos a 22 em primeiro turno e 461 a 19 votos no segundo turno. - Veja abaixo como votou cada deputado:
Mais do que horas no relógio, estamos devolvendo aos trabalhadores e trabalhadoras o direito ao convívio com a família. Ao descanso. À vida além do trabalho. As duas folgas semanais significam mais tempo para estudar, se divertir, cuidar da saúde e ver os filhos crescerem.
É uma vitória sobretudo das mulheres que, historicamente e injustamente, enfrentam jornada superior, desigual. Uma medida que só foi possível graças à imensa mobilização da sociedade.
Agradeço ao presidente Hugo Motta e também o apoio decisivo dos parlamentares que construíram ampla maioria na Câmara.
A proposta agora segue para o Senado. Seguiremos trabalhando intensamente pela sua aprovação definitiva.
“Conquista histórica e civilizatória”, diz Lula sobre fim da escala 6x1
Presidente celebra aprovação da PEC da jornada de 40 horas e afirma que mudança representa avanço social para os trabalhadores brasileiros
28 de maio de 2026, 04:30 h
247 –O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como uma “conquista histórica e civilizatória” a aprovação, pela Câmara dos Deputados, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada máxima de trabalho para 40 horas semanais. A proposta foi aprovada em dois turnos e agora segue para análise do Senado Federal.
Ao comentar a votação, Lula afirmou que a mudança representa um marco nas relações de trabalho brasileiras e reforça o compromisso do país com melhores condições de vida para a população trabalhadora.
“Conquista histórica e civilizatória”, declarou o presidente ao comentar a aprovação da proposta que estabelece dois dias de descanso remunerado por semana e reduz gradualmente a jornada semanal dos trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
A aprovação do fim da escala 6x1 com redução de jornada e sem redução de salário, pela Câmara, é uma conquista histórica e civilizatória.
Um compromisso assumido pelo Governo do Brasil.
Mais do que horas no relógio, estamos devolvendo aos trabalhadores e trabalhadoras o…
A PEC aprovada pela Câmara prevê o fim da tradicional escala 6x1, modelo em que o trabalhador atua durante seis dias consecutivos e descansa apenas um. Pela nova regra, a jornada será limitada a cinco dias de trabalho semanais, com dois dias de descanso remunerado.
Redução da jornada ocorrerá sem corte salarial
O texto aprovado pelos deputados determina que a redução da carga horária ocorrerá sem qualquer redução de salários. A proposta estabelece uma fase de transição até a implementação definitiva das 40 horas semanais.
Dois meses após a promulgação da futura emenda constitucional, os trabalhadores passarão a ter direito automático a dois dias de descanso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos. Nesse primeiro momento, a jornada cairá de 44 para 42 horas semanais.
A redução definitiva para 40 horas semanais ocorrerá 14 meses após a promulgação da PEC.
O governo federal acompanhou de perto as negociações em torno da proposta, considerada uma das mais importantes mudanças trabalhistas das últimas décadas. Integrantes da base governista defenderam a medida como instrumento de melhoria da qualidade de vida, aumento da produtividade e fortalecimento da saúde física e mental dos trabalhadores.
Debate sobre qualidade de vida ganhou força
O debate sobre o fim da escala 6x1 ganhou força nos últimos anos no Brasil, impulsionado por movimentos sindicais, pesquisadores e parlamentares que passaram a apontar os impactos negativos das jornadas extensas sobre a saúde e o convívio familiar dos trabalhadores.
Defensores da proposta argumentam que modelos com mais dias de descanso tendem a reduzir afastamentos por adoecimento, elevar a produtividade e ampliar o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
A PEC aprovada pela Câmara é resultado da articulação entre diferentes propostas apresentadas no Congresso Nacional. O texto final foi relatado pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA) e unificou iniciativas do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e da deputada Érika Hilton (Psol-SP).
Setores essenciais terão regras específicas
Apesar da criação da regra geral de 40 horas semanais, o texto prevê exceções e regimes diferenciados para determinadas categorias profissionais, especialmente em setores considerados essenciais, como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana.
A proposta também estabelece mecanismos de transição para microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e contratos terceirizados vinculados à administração pública.
Agora, a PEC seguirá para votação no Senado Federal, onde precisará novamente ser aprovada em dois turnos por três quintos dos parlamentares para entrar definitivamente em vigor.
Apesar da aprovação por ampla maioria, 22 deputados votaram contra a proposta. Metade deles pertence ao PL, partido de Jair Bolsonaro.
Um dos principais nomes da resistência ao texto foi o deputado Mauricio Marcon (PL-RS), que tentou travar a tramitação da proposta na comissão especial ao apresentar um pedido de vista durante a análise da PEC.
A votação também mostrou uma forte concentração regional dos votos contrários. Santa Catarina foi o estado que mais reuniu deputados contra o fim da escala 6×1, com nove parlamentares votando contra a proposta.
Deputados do PL que votaram contra
Bibo Nunes (PL-RS) Caroline de Toni (PL-SC) Daniel Freitas (PL-SC) Daniela Reinehr (PL-SC) Julia Zanatta (PL-SC) Mauricio Marcon (PL-RS) Nicoletti (PL-RR) Paulo Marinho Jr. (PL-MA) Ricardo Guidi (PL-SC) Rosangela Moro (PL-SP) Zé Trovão (PL-SC)
Santa Catarina concentrou maior resistência
Os deputados de Santa Catarina que votaram contra a PEC foram:
Caroline de Toni (PL) Daniel Freitas (PL) Daniela Reinehr (PL) Julia Zanatta (PL) Ricardo Guidi (PL) Zé Trovão (PL) Carlos Chiodini (MDB) Fabio Schiochet (União) Pezenti (MDB) Ao todo, nove deputados catarinenses votaram contra o texto aprovado pela Câmara.
Bibo Nunes defendeu jornada de 60 horas
Um dos votos contrários mais contundentes veio do deputado Bibo Nunes (PL-RS). Na véspera da votação, o parlamentar defendeu uma jornada semanal de 60 horas e usou Elon Musk como referência para atacar a redução da carga de trabalho.
“O homem mais rico do mundo… Elon Musk, disse: ‘Quem trabalha menos que 60 horas por semana jamais terá prosperidade além do normal’. Vocês querem ser normais? Ganhar pouco?”, afirmou o deputado.
A declaração gerou críticas nas redes sociais e reforçou o contraste entre a PEC aprovada pela Câmara e o discurso de parte da bancada bolsonarista sobre relações de trabalho.
Kim chamou PEC de “mentira” e “populismo”
Outro voto contrário foi o de Kim Kataguiri (União-SP). Em discurso no plenário, o deputado afirmou que a PEC não acabaria, na prática, com a escala 6×1 e acusou parlamentares de “enganar o trabalhador”.
“Eu não vou mentir para o trabalhador dizendo que, com a aprovação dessa PEC, vai acabar a escala 6×1”, afirmou.
Kim classificou a proposta como “populista” e disse que o trabalhador continuará enfrentando a mesma rotina de trabalho após a entrada em vigor da medida.
“Hoje podem me xingar, hoje podem fazer eu perder a eleição. Mas, quando passar um ano e o trabalhador perceber que está trabalhando os mesmos seis dias, eu vou fazer questão de lembrar que fui um dos poucos a falar a verdade no plenário”, declarou.
O deputado também criticou a estratégia do PL de apresentar propostas alternativas de escala 4×3 e afirmou que isso seria “responder populismo com mais populismo”.
Lista completa dos deputados que votaram contra
Adriana Ventura (Novo-SP) Bibo Nunes (PL-RS) Carlos Chiodini (MDB-SC) Caroline de Toni (PL-SC) Daniel Freitas (PL-SC) Daniela Reinehr (PL-SC) Fabio Schiochet (União-SC) Fausto Pinato (União-SP) Gilson Marques (Novo-SC) Julia Zanatta (PL-SC) Kim Kataguiri (União-SP) Lucas Redecker (PSD-RS) Marcel van Hattem (Novo-RS) Mauricio Marcon (PL-RS) Nicoletti (PL-RR) Paulo Marinho Jr. (PL-MA) Pezenti (MDB-SC) Ricardo Guidi (PL-SC) Ricardo Salles (Novo-SP) Rosangela Moro (PL-SP) Sérgio Turra (PP-RS) Zé Trovão (PL-SC)
O que muda com a PEC
A proposta aprovada pela Câmara estabelece dois dias de descanso remunerado por semana e reduz gradualmente a jornada máxima semanal para 40 horas, sem redução salarial.
O texto agora segue para análise do Senado Federal.
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