Quando a rua deixa de ser espaço do cidadão e passa a ser administrada como problema de ordem pública

 O que aconteceu na madrugada no Largo da Ordem não foi apenas o “cumprimento de horário”. Foi mais um sinal preocupante de como o espaço público vem sendo tratado em Curitiba: como algo a ser controlado, esvaziado e disciplinado — não vivido pela população.


Carnaval é, por definição, ocupação popular da rua. É cultura, é convivência, é expressão coletiva. 

Quando a Polícia Militar do Paraná entra para dispersar milhares de pessoas de forma rígida, sem diálogo real, o recado que fica é claro: festa popular só é tolerada até o ponto em que não incomoda.

A cidade que vende a imagem de “modelo” parece cada vez mais intolerante com manifestações espontâneas do povo. No lugar de organização democrática, vemos controle. 

No lugar de mediação, imposição. No lugar de convivência, esvaziamento.

Não se trata apenas de horário — trata-se de mentalidade.

Quando a rua deixa de ser espaço do cidadão e passa a ser administrada como problema de ordem pública, a sensação é de retrocesso. 

Uma cidade viva não expulsa seus próprios moradores da festa; ela organiza para que todos possam permanecer com segurança.

Curitiba não precisa de silêncio imposto. 

Precisa de diálogo, planejamento e respeito à cultura popular.

Porque quando a resposta do poder público para a alegria coletiva é dispersão policial, muita gente começa a se perguntar: a quem pertence a cidade?

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