Maior trem de alta velocidade já construído atinge marcos que desafiam a engenharia moderna
Capazes de transportar até 600 passageiros a mais de 350 km/h: os trens de alta velocidade chineses
Por: Anne SilvaPublicado: 24/02/2026 - às 11h34Atualizado: 24/02/2026 - às 11h29| 4 min de leitura
Introduzidas em ramais chineses na década passada, as séries de trens de alta velocidade CRH380A e CRH380AL, que operam no sistema da estatal China Railway, combinam dimensões impressionantes, capazes de transportar até 600 passageiros com alta potência e velocidade (mais de 11 mil cavalos e 350 km/h).
Os trens chineses de 16 vagões são os maiores trens de alta velocidade do mundo para transporte de passageiros, com comprimento superior a 400 metros e um peso impressionante de 500 toneladas. As dimensões do sistema ferroviário também impressionam: além de ser um dos mais longos, é o mais rápido do planeta.
Eles fazem parte da ferrovia
Pequim-Guangzhou High-Speed Railway, a mais extensa linha contínua com trens de alta velocidade do mundo: são cerca de 2.300 km de extensão, conectando o norte e o sul industrial da China, com megacidades ao longo do trajeto.
É uma infraestrutura que se equipara à de alguns corredores aéreos em escala continental.
O desempenho dos trens é resultado de um conjunto sofisticado de engenharia de ponta. Cada um deles tem motores compactos distribuídos pelo corpo, que geram sua potência extraordinária de 11 mil cv, o equivalente à de 100 automóveis médios, e melhoram a estabilização em alta velocidade, a eficiência energética e a aceleração.
Além da propulsão, os trens incorporam uma complexa rede de sistemas de
frenagem regenerativa (que converte a energia cinética gerada durante a desaceleração em energia elétrica), suspensão de alta precisão e sistemas redundantes de energia (para garantir o fornecimento ininterrupto de eletricidade, assumindo o controle automaticamente caso a fonte principal falhe), além de climatização e pressurização.
Em velocidades acima de 300 km/h, as forças físicas aumentam exponencialmente. Segundo estudos técnicos da
International Union of Railways, a alta velocidade faz com que as vibrações estruturais se tornem críticas, sujeitas ao atrito aerodinâmico, que pode desgastar as rodas e os trilhos de maneira mais rápida. A vida útil de um trem de alta velocidade pode não passar de 25 anos, enquanto o custo de fabricação é de cerca de US$ 40 milhões por unidade.
É necessário, também, desprender investimentos contínuos em manutenção e infraestrutura, o que torna a operação dessas máquinas muito intensiva em capital.
Mais de 2,5 bilhões de passageiros viajam anualmente em trens de alta velocidade, segundo estimativas internacionais do setor, e as linhas podem transportar até 20 mil pessoas por hora em cada direção.
Agora, os projetos mais recentes indicam que a próxima fronteira da engenharia ferroviária busca alcançar velocidades acima de 400 km/h, com avanços na estrutura de materiais ultraleves e na engenharia aerodinâmica.
O novo modelo chinês, o CR450, cujos protótipos estão em desenvolvimento, pode chegar a velocidades de teste de 450 km/h.
Em velocidades próximas de 400 km/h, pequenas irregularidades nos trilhos geram forças enormes, o que requer menos vagões (o CR450 tem apenas oito) e menor peso — no caso do protótipo chinês, até 10% a menos.
Os novos trens ainda apresentam um sistema de tração de ímã permanente refrigerado à água, a fim de garantir melhor desempenho e segurança durante as operações, além de um sistema de frenagem de emergência em múltiplos níveis.
A China tem cerca de 47 mil km de trilhos operacionais, segundo dados da Administração Nacional de Ferrovias.
O país também investe, agora, no setor ferroviário brasileiro (embora ainda não haja projetos de trens de alta velocidade em operação no país).
Em 2025, a China Railway anunciou a abertura de uma fábrica para o fornecimento de trens em Araraquara, no interior paulista, com investimento inicial estimado em R$ 50 milhões e previsão de início das operações em 2026.
A fábrica vai produzir trens para as linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha do Metrô de São Paulo e para o Trem Intercidades, entre a capital e Campinas.
As operações devem se iniciar em 2030, com capacidade para transportar até 1,8 mil passageiros.
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