O povão não come Master, come comida.
Se o ET Bilú desembarcasse hoje no Brasil em busca de conhecimento, poderia concluir que os candidatos à Presidência são Daniel Vorcaro, Alexandre de Moraes e André Mendonça. A crise envolvendo STF e Master engoliu a campanha, enquanto Lula e Flávio Bolsonaro trocam acusações tentando colar um no outro a conta de Brasília.
É claro que investigar corrupção, compra de decisões e favores aos ricos é essencial. O problema é quando o Big Brother Supremo ocupa todo o debate e transforma cada bocejo de ministro em espetáculo. Quem ganha são candidatos sem propostas — ou com propostas que preferem esconder.
E a vida real? O povão não come Master, come comida. O próximo presidente vai manter o salário mínimo acima da inflação? Vai preservar aposentadorias vinculadas ao mínimo? O que fará com o endividamento das famílias? Haverá ajuste fiscal e qual será a lapada? Vai melhorar a remuneração de trabalhadores de aplicativos? Enfrentar as bets? Apoiar o fim da escala 6x1?
Democracia não pode ser cheque em branco. Depois da eleição, o vencedor dirá que recebeu aval popular para seu projeto. Mas que projeto, se quase ninguém o conheceu? Se a campanha terminar discutindo apenas quem comprou quem nos salões de Brasília, o eleitor chegará à urna sabendo tudo sobre os poderosos e quase nada sobre o que farão com seu salário, sua aposentadoria, sua dívida e seu tempo.
E há muitos candidatos que são eleitos com o discurso de que vão mudar tudo simplesmente para garantir que tudo continue do mesmo jeito: um oásis para quem tem dinheiro.