PERGUNTAS SEM RESPOSTAS

 

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Mendonça trata inquéritos de forma diferente?
14/09/2026 | 07h31 


As suspeitas sobre o ritmo lento com que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, conduz o inquérito do caso Dark Horse, que envolve Flávio Bolsonaro, se intensificaram nos últimos dias. Desde que se soube, na semana passada, que uma investigação sobre o candidato do PL à Presidência foi aberta por Mendonça em 23 de julho, essa linha de raciocínio ganhou força. Em mais de um mês, pouco foi feito para esclarecer a extensão dos laços entre Flávio e Daniel Vorcaro.

O questionamento é quanto à diferença de prioridade que o relator dá à investigação dos estranhos caminhos percorridos para financiamento do filme em relação a outros casos que estão sob sua responsabilidade.

Um termo de comparação é o inquérito que investiga as fraudes do INSS, relatado pelo mesmo ministro. Nesse caso, várias diligências foram feitas, vazamentos de informações tiveram como alvo preferencial o filho do presidente Lula, Fábio Luiz, e o chefe do gabinete da Presidência. Outra referência é o próprio caso Master, em que muitas informações relacionadas a mensagens de Vorcaro para Alexandre de Moraes vieram a público antes de o próprio Mendonça decidir quebrar o sigilo desse trecho da investigação.

Postura bem diferente da adotada pelo relator em relação a Flávio Bolsonaro.

A retirada de sigilo da investigação sobre o possível uso de emendas no filme Dark Horse é um pedido feito com intensidade cada vez maior. Trata-se de providência imprescindível para que a sociedade conheça os verdadeiros elos do autor da maior fraude bancária do país com um candidato a presidente com chances reais de vitória.

A enxurrada de ofícios que os ministros encaminharam ao presidente do STF, Edson Fachin, neste último fim de semana deixou como saldo a impressão de que Mendonça — que admite não ter pedido à Polícia Federal os dados do celular de Vorcaro — realmente se coloca contra a transparência do caso Dark Horse.

Se as suspeitas da ligação Moraes-Vorcaro são gravíssimas, também as pistas de que Mendonça possa estar usando seletividade nos casos que relata para interferir no resultado eleitoral não são menos alarmantes.

De um lado, estaria um crime previsto no Código Penal. Do outro, estaria um crime contra a democracia e o Estado de Direito.

Se quiser dissipar as dúvidas que pairam sobre si, Mendonça poderia começar a responder perguntas importantes, que ajudam a esclarecer se cumpre ou não no STF o indevido papel de militante ideológico:

1 – Por que o sr. não tornou público em julho que abriu investigação sobre o pedido de dinheiro de Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, revelado em reportagem do Intercept?

2 – Por que não juntou aos autos do caso Master o conteúdo do telefone do Vorcaro?

3 – Por que não liberou para a PF o Relatório de Inteligência Financeira dos pagamentos do Master pedido em março?

4 -Por que não liberou todo o conteúdo do caso Master, como recomendou Edson Fachin?

5 – Por que não juntou aos autos do caso Master o conteúdo do telefone do Vorcaro?

6 – Por que negou diligências para apurar crimes de Claudio Castro?

7 – Por que apoiou Dias Toffoli quando a suspeição dele no caso foi noticiada e tem postura diferente em relação a Moraes?

8 – Por que não apresentou provas ao afirmar que estava sendo monitorado pela PF?

9 – Por qual motivo não há qualquer pedido de cooperação internacional ou carta rogatória para saber o destino dos recursos do filme Dark Horse?

10 – Qual o sentido de alegar que encaminhar o conteúdo do celular de Vorcaro aos colegas do STF pode “tumultuar” o julgamento, se a defesa do ex-banqueiro já teve acesso ao material?

11 – Como o plenário do STF poderá julgar de forma correta a suspeição de Moraes sem o acesso à íntegra do material?

12 – Por que marcou encontro com Vorcaro num endereço privado, como revelou reportagem de Paulo Motoryn no ICL Notícias?

13 – Por que precisava da companhia de um advogado amigo de Vorcaro para ir ao alfaiate?

https://iclnoticias.com.br/perguntas-sem-respostas/

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