China e Brasil rechaçam ingerência externa em eleições

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Jamil Chade

Exclusivo: China e Brasil rechaçam ingerência externa em eleições

Em Pequim, Celso Amorim se reuniu com chanceler chinês; o tema de minerais críticos também foi abordado
16/09/2026 | 10h29 

China e Brasil rechaçam a ingerência em eleições nacionais e insistem que a exploração de minérios críticos deve vir acompanhada pelo desenvolvimento da produção nacional. Os dois assuntos foram tratados numa reunião nesta quarta-feira entre o assessor especial do Palácio do Planalto, Celso Amorim, e o chanceler chinês, Wang Yi, em Pequim.

Amorim ainda entregou uma carta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o líder chinês, Xi Jinping. Nela, o brasileiro “destaca a solidez e a importância estratégica da cooperação bilateral, a convergência entre os dois países e as sinergias entre seus projetos nacionais de desenvolvimento”.

O ICL Notícias apurou que, durante o encontro, Amorim e Yi concordaram que existe um ponto pacífico na relação bilateral: o rechaço à interferência nas eleições. O tema surge às vésperas do pleito no Brasil e que, nos últimos meses, vem sendo alvo de ataques por parte do governo de Donald Trump.

A Casa Branca estuda a possibilidade de aplicar novas sanções contra autoridades brasileiras, criando uma desestabilização política no país.

Lula se prepara para embarcar para os EUA, onde abrirá a Assembleia Geral da ONU, na próxima terça-feira (22). Segundo o ICL antecipou, o brasileiro irá falar sobre a defesa da soberania e da democracia em seu discurso, um recado contra qualquer tipo de ingerência. Em seguida, será a vez de Trump subir no mesmo palco.

China
Celso Amorim e Wang Yi se reúnem em Pequim nesta quarta-feira (16) (Foto: Governo Federal)

No encontro em Pequim nesta quarta-feira (16), Brasil e China ainda fizeram um “balanço altamente positivo dos avanços no relacionamento bilateral nos últimos anos”, disse uma nota do governo.

“Amorim e Wang Yi ressaltaram a importância da defesa da paz, do diálogo e do fortalecimento do multilateralismo. Ambos condenaram tentativas de ingerência em assuntos internos de outros países”, insistiram.

“Entre as áreas prioritárias de cooperação discutidas no encontro, foi destacado o desenvolvimento de inteligência artificial com código aberto e de forma ética e inclusiva”, afirmou um comunicado oficial do Planalto. “O desenvolvimento de capacidades produtivas e tecnológicas para agregação de valor em matéria de minerais críticos e terras raras também foi sublinhado”, insistiu.

O tema tem sido alvo da campanha eleitoral no Brasil, com o campo bolsonarista sugerindo aderir às iniciativas de Trump para transformar a América Latina numa reserva de mercado para sua indústria.

Foram discutidos, ainda, a situação internacional, os desdobramentos das atuais tensões na Ucrânia e Oriente Médio e a atuação do BRICS como promotor de diálogo.

Amorim e Yi ainda “reafirmaram a disposição de aprofundar o caráter estratégico da “Comunidade de Futuro Compartilhado Brasil-China por um Mundo Mais Justo e um Planeta Sustentável”, ampliar a cooperação em áreas de interesse comum e atuar conjuntamente em favor da paz, do desenvolvimento e do fortalecimento do sistema multilateral.

Jamil Chade
Jamil Chade

Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.

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