O deputado federal Zé Trovão (PL-SC), aliado de primeira hora do senador Flávio Bolsonaro, decidiu acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para barrar o reajuste de 15,04% no Bolsa Família

 



O deputado federal Zé Trovão (PL-SC), aliado de primeira hora do senador Flávio Bolsonaro, decidiu acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para barrar o reajuste de 15,04% no Bolsa Família, anunciado pelo presidente Lula a 17 dias do primeiro turno. 

A ação, que acusa o petista de abuso de poder político, caiu no colo do ministro André Mendonça, indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro. O vice-presidente do TSE rapidamente rejeitou o pedido, avaliando que o deputado não tem legitimidade para tanto.

À primeira vista, a oposição parece tentar encurralar o governo. 

Na prática, se insistir com isso, pode ajudar o petista.

Se o bolsonarismo não conseguir proibir o reajuste de R$ 600 para R$ 691, o efeito imediato tende a ser pequeno: o novo valor só começa a ser pago em 19 de outubro, às vésperas do segundo turno, e alcança um eleitorado já majoritariamente petista. Se barrar, o ganho narrativo pode ser muito maior. O PT terá munição para dizer que o “bolsonarista odeia pobre”.

A direita, claro, vai explorar o timing eleitoreiro e dizer que Lula tenta comprar votos. E vão resgatar o velho discurso preconceituoso de que o Bolsa Família reduz a quantidade de mão de obra disponível. 

O problema é a memória de 2022: Bolsonaro fez algo semelhante, e de forma mais agressiva, ao elevar temporariamente o Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 durante a campanha.

Nosso colega Felipe Salto, colunista de economia no UOL, lembra ainda que os 15,04% apenas recompõem a inflação desde março de 2023. Segundo ele, respeita-se a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Lei Eleitoral. Escreveu ele: “Não se trata de conceder benefício novo, mas de neutralizar a perda nominal. O resto é fantasia ou desconhecimento”.

É aí que a estratégia oposicionista pode se voltar contra seus autores: se o dinheiro sair, Lula ganha, mas pouco. Se for bloqueado, ganha um discurso pronto de injustiça social. Na política, a narrativa da privação costuma incendiar mais do que a do benefício concedido.

Postagens mais visitadas deste blog

Jorge Messias

"MORTE DA INFÂNCIA"