Acusam o governo Lula de oportunismo eleitoreiro ao bancar o reajuste inflacionário de 15% no Bolsa Família e forçar a aprovação, na Câmara, do fim da escala 6x1.

 Parte dos analistas de mercado e a turma que acha que a economia é uma ciência exata descolada da vida humana estão rasgando as vestes. O motivo? 


Acusam o governo Lula de oportunismo eleitoreiro ao bancar o reajuste inflacionário de 15% no Bolsa Família e forçar a aprovação, na Câmara, do fim da escala 6x1. 

A resposta mais honesta para essa acusação é: sim, é eleitoreiro. E ainda bem que existe a pressão das eleições. Se as medidas não infringem a lei, então deveriam ser celebradas.


O que a indignação seletiva ignora é que apenas quando a urna se aproxima que a correlação de forças muda no Brasil. Fora do calendário eleitoral, o Estado brasileiro é uma máquina azeitada para atender ao andar de cima, distribuindo subsídios bilionários. É só quando o voto do trabalhador precarizado passa a ter o mesmo peso do voto do banqueiro que o poder público é pressionado a olhar para baixo.

O governo Lula segurou a recomposição inflacionária do programa social por mais de três anos, sob a justificativa de conter gastos. As famílias pobres tiveram que se virar com a inflação. Com a necessidade de reencantar o eleitorado, os 15% de aumento tiveram que caber no orçamento. É eleitoreiro? Lógico que é. Mas vá dizer para a mãe solo que finalmente vai conseguir comprar mais mistura para os filhos que ela deveria recusar o dinheiro.

O mesmo vale para o fim da escala 6x1, esse moedor de carne humana que rouba o direito ao convívio familiar, ao descanso e à saúde mental de milhões de brasileiros. Apoiada por esmagadores 80% da população, a pauta foi combatida ferozmente pelo poder econômico. Por que, de repente, deputados conservadores que sempre votaram com o patronato decidiram aprovar a medida na Câmara? Resposta: eles tiveram pavor de chegar em outubro e ter que explicar na feira e na igreja por que condenaram o trabalhador à exaustão contínua.

Se o povo pobre e a classe trabalhadora só conseguem arrancar suas vitórias quando os políticos precisam de votos, que seja. Se isso é ser eleitoreiro, o trabalhador agradece. E pede bis. 

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