Após reportagem do ICL, Lindbergh pede que PGR investigue relação de Flávio Bolsonaro com Careca do INSS

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Após reportagem do ICL, Lindbergh pede que PGR investigue relação de Flávio Bolsonaro com Careca do INSS

Deputado acionou a PGR após revelação de que empresa do senador divide endereço e contador com estruturas ligadas ao operador do esquema do INSS
12/09/2026 | 09h38 


Por Cleber Lourenço

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma notícia de fato pedindo a abertura de investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a partir de informações reveladas pelo ICL Notícias, sobre conexões empresariais entre uma empresa do parlamentar e a rede ligada a Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.

A representação, apresentada neste sábado (12), pede que a PGR solicite ao Supremo Tribunal Federal (STF) a instauração de inquérito para apurar a existência de vínculos patrimoniais, contábeis e empresariais entre a Bravo Grafeno, da qual Flávio é sócio, e pessoas e empresas relacionadas ao Careca do INSS. Lindbergh também solicita quebra de sigilos bancário e fiscal, relatórios do Coaf, perícia contábil e buscas e apreensões.

Ao ICL Notícias, Lindbergh classificou as descobertas como “devastadoras” e afirmou que Flávio deveria desistir da candidatura à Presidência da República.

“É uma revelação devastadora. Liga diretamente Flávio Bolsonaro ao Careca do INSS. É gravíssimo, gravíssimo. Eu só vejo um caminho: a desistência da candidatura do Flávio Bolsonaro depois dessas revelações”, afirmou.

O deputado também relacionou o novo episódio às investigações envolvendo o Banco Master e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro.

“Além da ligação com Vorcaro, está comprovada a ligação direta com o Careca do INSS pela sala, pelo contador Alexandre Caetano dos Reis, que está preso, que era o contador do Careca e o contador do Flávio Bolsonaro”, disse Lindbergh.

A afirmação de que existe uma ligação comprovada é uma avaliação do deputado. A notícia de fato pede justamente que a PGR investigue a natureza e a extensão dos vínculos identificados e se houve trânsito de recursos entre as estruturas empresariais.

A iniciativa foi motivada pela reportagem publicada pelo Núcleo Investigativo do ICL Notícias na sexta-feira (11), que revelou que a Bravo Grafeno declarou como endereço a sala 2601 do Edifício Connect Towers, em Águas Claras, no Distrito Federal. No mesmo local estão registradas, segundo dados públicos da Receita Federal, ao menos 16 empresas vinculadas ao Careca do INSS.

Entre elas está a Prospect Consultoria Empresarial. Segundo o relatório final da CPMI do INSS citado na representação, a empresa recebeu R$ 204,2 milhões de nove entidades investigadas pela cobrança de descontos associativos sobre benefícios previdenciários. Desse total, R$ 115,9 milhões vieram da Unaspub, R$ 27,1 milhões da Ambec e R$ 19,8 milhões da CBPA.

Revelação do ICL conecta diretamente a família Bolsonaro ao Careca do INSS, personagem central das investigações sobre as fraudes bilionárias (Foto: Reprodução)

Contador amplia conexão

A coincidência de endereço não é o único elemento levado à PGR. A apuração do ICL também identificou uma conexão por meio da contabilidade da empresa de Flávio.

Em diligência no Connect Towers, a reportagem foi informada de que a sala 2601 era ocupada pela Voga Serviços Contábeis. Funcionários do prédio confirmaram a presença da empresa no local. O advogado Thalles Setúbal, que recebeu a reportagem, confirmou que a Voga presta serviços à Bravo Grafeno, embora tenha negado que a sala 2601 pertença à contabilidade e afirmado que o espaço seria de trabalho compartilhado.

A Voga pertence a Alexandre Caetano dos Reis, preso desde dezembro de 2025 e que foi sócio do Careca do INSS em uma offshore constituída nas Ilhas Virgens Britânicas. De acordo com a representação, Alexandre também atuou como contador de diferentes empresas ligadas ao núcleo investigado pela Polícia Federal.

A conexão vai além da Bravo Grafeno: a Voga também é responsável pela contabilidade do escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro.

Na notícia de fato, Lindbergh sustenta que essas descobertas acrescentam dois elementos novos a uma comunicação anterior feita por ele à Polícia Federal: o compartilhamento do endereço da Bravo Grafeno com 16 sociedades ligadas ao núcleo investigado e a contratação, pela empresa de Flávio, da contabilidade pertencente a um ex-sócio do Careca do INSS.

PGR é provocada a rastrear dinheiro

Lindbergh pede que a investigação verifique se houve trânsito de dinheiro entre o esquema dos descontos associativos do INSS e a Bravo Grafeno.

Uma das linhas sugeridas é investigar a origem do dinheiro usado para formar o capital social da empresa, seu faturamento desde junho de 2024 e eventuais aportes, empréstimos, antecipações de recebíveis ou pagamentos que tenham como contraparte pessoas ou empresas relacionadas ao núcleo investigado na Operação Sem Desconto.

A representação cita, em tese, possíveis crimes de lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. Também pede que, caso seja identificado trânsito de recursos ou vantagens para Flávio ou pessoas vinculadas a ele, seja verificada eventual atuação parlamentar em benefício das entidades envolvidas no esquema, hipótese em que poderia ser investigada eventual corrupção. As suspeitas apresentadas ainda dependem de investigação e não significam que os crimes tenham sido praticados pelo senador.

O documento também pede uma apuração eleitoral. Como Flávio disputa a Presidência da República em 2026, Lindbergh quer que seja verificado se a Bravo Grafeno foi utilizada para movimentar recursos destinados à campanha fora dos mecanismos legais ou para financiar indiretamente a pré-campanha por meio da publicidade da marca.

Pedido inclui quebra de sigilo e buscas

Entre as diligências solicitadas estão relatórios de inteligência financeira do Coaf sobre a Bravo Grafeno, a Voga, o escritório de advocacia de Flávio, os sócios da empresa e sociedades ligadas ao Careca do INSS.

Lindbergh pede ainda que a PGR solicite ao STF a quebra dos sigilos bancário e fiscal da Bravo Grafeno, da Voga e das pessoas mencionadas na representação, abrangendo o período desde janeiro de 2019. Também solicita buscas e apreensões nas salas 2601 e 2603 do Connect Towers para recolhimento de documentos contábeis físicos e eletrônicos.

Outro pedido é de cooperação internacional com as Ilhas Virgens Britânicas para identificar a offshore que teve como sócios o Careca do INSS e Alexandre Caetano dos Reis, incluindo seus beneficiários finais, contas bancárias e movimentações financeiras.

A PGR também é provocada a realizar uma perícia na contabilidade da Bravo Grafeno para identificar a origem dos recursos usados na empresa e todas as contrapartes de pagamentos e recebimentos desde sua criação.

A notícia de fato não abre automaticamente uma investigação. Caberá à PGR analisar os elementos apresentados e decidir se pede ao STF a instauração de inquérito e as medidas solicitadas.

Flávio Bolsonaro já negou anteriormente envolvimento nas irregularidades investigadas pela Operação Sem Desconto. Procurado pelo ICL na apuração que deu origem à representação, o senador não havia se manifestado até a publicação da reportagem. 

https://iclnoticias.com.br/apos-reportagem-do-icl-lindbergh-pede-que-pgr/

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