Apesar de as quebras de sigilo até aqui sugerirem que o ministro André Mendonça gastou mais sua energia para buscar informações sobre o adversário Alexandre de Moraes do que para investigar o aliado Flávio Bolsonaro por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas,
Apesar de as quebras de sigilo até aqui sugerirem que o ministro André Mendonça gastou mais sua energia para buscar informações sobre o adversário Alexandre de Moraes do que para investigar o aliado Flávio Bolsonaro por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas,
o pouco revelado até agora reforça as suspeitas de que milhões transferidos por Daniel Vorcaro a pedido do senador tiveram um fim ainda menos nobre do que o filme Dark Horse.
E pode ter bancado traição à pátria.
Flávio solicitou R$ 134 milhões do dono do Master — dinheiro que até um suricato desatento sabe que não pode ser chamado de “privado”, uma vez que o Master mamou aposentadorias de servidores. A PF investiga o desvio de emendas pelo deputado Mario Frias.
A PRG aponta que Eduardo Bolsonaro orientou a gestão dos recursos de Vorcaro que foram para os EUA através do fundo Havengate. A PF investiga se a grana foi usada para manter as atividades dele enquanto conspirava junto ao governo Donald Trump — o que ajudou a estabelecer o primeiro tarifaço contra o Brasil no ano passado. Se a grana manteve Eduardo, podem-se somar a coação no curso do processo e, por que não, a traição ao rol de investigações envolvendo Flávio. É um belo currículo para um pretendente à Presidência da República.
Artur Rodrigues e Amanda Rossi, no UOL, mostram que ação da PF identificou conflitos em relação ao volume de recursos que teria voltado do exterior para o Brasil para a execução do filme. Natália Portinari, Cézar Feitoza, Artur Rodrigues e Fabio Serapião, também no UOL, revelam que o braço da produtora de Dark Horse nos EUA se recusou a entregar às autoridades brasileiras documentos, mantendo sob sigilo 72% do custo do filme.
Toda a informação foi divulgada por Mendonça ou dados apurados em diligências da PF ainda em curso não vieram a público sob a justificativa de não atrapalhar as investigações? O problema já não é saber se o filme é ruim. É descobrir por que tanta gente poderosa parece tão pouco interessada em chegar aos créditos finais.