Haddad à TV 247: responsável pela alta dos combustíveis é quem privatizou refinarias e a distribuição da Petrobras
Pré-candidato ao governo de São Paulo
afirma que Brasil perdeu capacidade de
regular preços após a venda da BR
Distribuidora
25 de março de 2026, 05:57 hHaddad destacou que o debate público está sendo contaminado por desinformação. “Agora tem uma guerra e tem uma disputa de narrativa de novo. Quem que é o responsável pelo que está acontecendo com os combustíveis no Brasil? Tem dois responsáveis”, afirmou. Haddad apontou que a escalada de tensões no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã, teve impacto direto sobre os preços do petróleo, o que repercute globalmente. Para ele, houve um erro de cálculo por parte de potências internacionais ao tentar replicar contra o Irã a mesma estratégia aplicada anteriormente à Venezuela. “Primeiro, errou quem imaginou que pudesse fazer com o Irã o que fez com a Venezuela e tudo ia ficar bem. Não aconteceu isso”, disse.
Na avaliação do ex-ministro, esse movimento contribuiu para a instabilidade no mercado energético e pressionou os preços internacionais, afetando países como o Brasil, que seguem a lógica de preços atrelados ao mercado global.
Privatização desmontou instrumento de controle
O segundo fator, segundo Haddad, é interno e estrutural: a venda de refinarias e da rede de distribuição da Petrobras, a BR Distribuidora, no governo de Jair Bolsonaro. Ele argumenta que o país abriu mão de um instrumento fundamental de regulação de preços ao retirar da estatal o papel de balizar o mercado na ponta. “Em segundo lugar, errou quem vendeu refinaria e postos da Petrobras aqui no Brasil. Porque antigamente, quando você tinha a distribuição da Petrobras, você tinha um parâmetro de preços”, afirmou.
Haddad destacou que, com a saída da Petrobras da distribuição, o Brasil deixou de ter uma referência estatal para os preços nas bombas, o que aumentou a vulnerabilidade do consumidor às oscilações do mercado.
Perda de soberania e limitação legal
O ex-ministro também ressaltou que, além da privatização, há barreiras legais que impedem a Petrobras de retomar imediatamente seu papel na distribuição. Segundo ele, a estatal só poderá voltar a atuar nesse segmento a partir de 2029.
“Hoje não existe mais uma companhia estatal que baliza o preço da venda na ponta, na bomba de combustíveis. E só em 2029 a Petrobras está autorizada por lei a voltar a atuar no ramo da distribuição”, afirmou. Para Haddad, esse cenário reflete a lógica da privatização adotada no setor, que, segundo ele, teve como objetivo restringir a atuação da Petrobras. “A lógica da privatização é inibir a Petrobras de atuar”, concluiu.
Disputa de narrativas e desinformação
Ao final, Haddad alertou que o debate sobre combustíveis tende a ser marcado por disputas políticas e narrativas conflitantes, tanto em relação ao cenário internacional quanto às decisões econômicas internas.
Segundo ele, é fundamental compreender que a atual situação resulta da combinação entre fatores externos — como a guerra e o preço do petróleo — e escolhas internas que reduziram a capacidade do Estado brasileiro de intervir no mercado de combustíveis.
