Em nova versão de PowerPoint do Master, Demori expõe ‘distorção’ exibida na Globonews
Em nova versão de PowerPoint do Master, Demori expõe ‘distorção’ exibida na Globonews
O diretor de jornalismo do ICL Notícias, Leandro Demori, criticou nesta segunda-feira (23), durante participação no ICL Notícias 1ª edição, a forma como o caso do Banco Master foi apresentado no programa Estúdio i, da Globonews, na sexta-feira passada, e afirmou que a emissora construiu uma narrativa baseada em “falso equilíbrio” ao associar diferentes figuras políticas ao escândalo.
Segundo Demori, a escolha editorial de incluir nomes de campos ideológicos distintos, sem considerar o grau de envolvimento de cada um, distorce a compreensão dos fatos.
“Não existe imprensa neutra. A escolha do que vira notícia já é uma decisão ideológica”, afirmou. “O que fizeram foi um falso equilíbrio para passar a ideia de que ‘está todo mundo envolvido’, quando os dados não mostram isso.”
Como resposta, o jornalista apresentou uma nova versão do PowerPoint exibido pela emissora, reorganizando os personagens com base, segundo ele, em informações de investigações e reportagens.
Na leitura de Demori, a análise factual dos envolvidos revela uma concentração significativa de nomes ligados à direita política e a governos desse campo.
Entre os citados estão:
- Tarcísio de Freitas, governador bolsonarista de São Paulo e um dos maiores contemplados por doações de campanha por parte de Fabiano Zettel, pastor e cunhado de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
- Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL e filho zero um do ex-presidente Jair Bolsonaro.
- Ciro Nogueira, senador e já chamado de “grande amigo de vida” por Vorcaro.
- Nicolas Ferreira, deputado federal pelo PL e que já pegou carona em jatinho de Vorcaro.
- Roberto Campos Neto, que presidia o Banco Central quando o Master começou a ter problemas e nada fez para resolver.
Além deles, o jornalista mencionou governadores e gestores públicos responsáveis por direcionar recursos de fundos de pensão ao banco, reforçando o peso de agentes públicos na estrutura analisada.
Do espectro da esquerda, Demori citou o ex-ministro da Fazenda do governo Dilma Rousseff, Guido Mantega, que teria atuado como lobista do banco em momentos específicos. Ainda assim, ele destacou que esses casos são minoria.
“Quando você olha a proporção, não é equilibrado. Está mais para 26 a 2. Isso é matemática, não opinião”, observou.
Crítica à associação com o PT
Demori também questionou a inclusão de nomes como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no material exibido pela Globonews. Para ele, a decisão reforça uma tentativa de associar o caso ao Partido dos Trabalhadores sem base proporcional nos dados.
“Colocar esses nomes lado a lado cria uma narrativa. Mas narrativa não substitui análise factual. Isso induz o público a uma conclusão equivocada”, criticou.
Outro ponto destacado pelo jornalista foi a complexidade da estrutura financeira associada ao Banco Master. Segundo ele, há indícios de uso de múltiplos fundos interligados, dificultando a identificação dos beneficiários finais.
“Para chegar a um nome, foi preciso atravessar vários fundos encadeados. Isso não é estrutura simples — é típico de mecanismos usados para ocultar origem e destino de recursos”, pontuou.
Demori também mencionou a presença de operadores financeiros, lobistas e personagens sob investigação, ampliando o escopo do caso para além do sistema bancário tradicional.
“Todo mundo sabia”, diz Eduardo Moreira
O economista Eduardo Moreira, fundador do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), também comentou o caso Master no programa. Ele afirmou que a fraude bilionária não pode ser tratada como surpresa dentro do mercado financeiro.
“Todo mundo estava sabendo”, disse. “Nenhum banco vende CDB dos outros sem fazer análise. Quando aparece uma rentabilidade muito acima do padrão, isso acende alerta — e, ainda assim, continuaram vendendo”, disse.
Segundo Moreira, o funcionamento do banco dependia de uma engrenagem que envolvia diferentes agentes do sistema, incluindo administradoras responsáveis pela precificação de ativos.
“O banco comprava ativos e precisava atribuir valor a eles. Em tese, há uma administradora que impede distorções. Mas, se quem deveria controlar participa da engrenagem, o sistema deixa de funcionar como proteção.”
Moreira ainda ressaltou que o ex-presidente do Banco Central e vice-presidente do conselho de administração e chefe global de políticas públicas do Nubank, Roberto Campos Neto, não aparece no PowerPoint da Globo e justificou: “A Globo é sócia do Nubank”.
Cobrança a autoridades e crítica à politização
Moreira também criticou a atuação de órgãos reguladores e defendeu a responsabilização de autoridades do período em que as operações ocorreram, como o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Para ele, a tentativa de enquadrar o caso como uma disputa ideológica prejudica o entendimento público.
“Transformaram isso em ‘é de direita ou de esquerda’, quando o principal ainda não foi explicado. As pessoas não entenderam o que aconteceu de fato”, afirmou.
Ele concluiu defendendo que a compreensão técnica deve preceder qualquer interpretação política.
“Quando você entende o mecanismo, você mesmo chega à conclusão — não precisa de narrativa pronta.”
Veja os comentários completos de Leandro Demori e Eduardo Moreira no vídeo abaixo:


