Brasil aposta em latinos e africanos para reduzir dependência do Oriente Médio
Brasil aposta em latinos e
africanos para reduzir
dependência do Oriente Médio
O governo brasileiro coloca a América Latina e a África como alternativas para reduzir sua dependência em relação ao petróleo e fertilizantes do Oriente Médio. A guerra no Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz tiveram um profundo impacto no comércio mundial e no abastecimento estratégicos desses setores.
Hoje, o Brasil importa 80% do fertilizante que usa na agricultura e reduzir essa dependência é considerado como “estratégico” para garantir a segurança alimentar.
Fontes em Brasília apontam que a busca por alternativas já começou antes da crise eclodir. Uma delas seria a Bolívia. Em recente encontro entre os dois governos, o Brasil mandou um recado claro para La Paz de que a Petrobras está disposta a voltar a investir no país vizinho e ampliar o fluxo no gasoduto que liga os dois países. Mas, para isso, o novo governo boliviano precisaria criar um marco normativo capaz de dar segurança para os investidores brasileiros.
Outra opção sendo avaliada é o investimento em uma fábrica de fertilizantes, na fronteira entre a Bolívia e Corumbá.
Não se exclui ainda a possibilidade de uma volta dos investimentos brasileiros na exploração de petróleo na Venezuela. Desde a queda de Nicolas Maduro, o governo norte-americano passou a permitir o licenciamento para empresas explorarem o petróleo na Venezuela. O gesto rompe o monopólio da PDVSA e abre o mercado especialmente para empresas americanas.
Mas o governo destaca que, nas novas licenças, apenas chineses, cubanos e russos estão excluídos. Teoricamente, o Brasil poderia voltar a investir.
O governo ainda olha com interesse para uma aproximação com o México, Marrocos, Angola e Nigéria.
Brasília considera que está entre os emergentes que pode melhor resistir aos impactos da guerra no Irã. Mas sabe que não ficará imune.
Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.
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