Brasil aposta em latinos e africanos para reduzir dependência do Oriente Médio

 Colunistas ICL - 

Jamil Chade

Brasil aposta em latinos e

africanos para reduzir

dependência do Oriente Médio


Bolívia, Venezuela, Marrocos, Angola e Nigéria entram no radar do governo brasileiro para temas como fertilizantes e petróleo
19/03/2026 | 16h17 


O governo brasileiro coloca a América Latina e a África como alternativas para reduzir sua dependência em relação ao petróleo e fertilizantes do Oriente Médio. A guerra no Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz tiveram um profundo impacto no comércio mundial e no abastecimento estratégicos desses setores.

Hoje, o Brasil importa 80% do fertilizante que usa na agricultura e reduzir essa dependência é considerado como “estratégico” para garantir a segurança alimentar.

Fontes em Brasília apontam que a busca por alternativas já começou antes da crise eclodir. Uma delas seria a Bolívia. Em recente encontro entre os dois governos, o Brasil mandou um recado claro para La Paz de que a Petrobras está disposta a voltar a investir no país vizinho e ampliar o fluxo no gasoduto que liga os dois países. Mas, para isso, o novo governo boliviano precisaria criar um marco normativo capaz de dar segurança para os investidores brasileiros.

Outra opção sendo avaliada é o investimento em uma fábrica de fertilizantes, na fronteira entre a Bolívia e Corumbá.

Não se exclui ainda a possibilidade de uma volta dos investimentos brasileiros na exploração de petróleo na Venezuela. Desde a queda de Nicolas Maduro, o governo norte-americano passou a permitir o licenciamento para empresas explorarem o petróleo na Venezuela. O gesto rompe o monopólio da PDVSA e abre o mercado especialmente para empresas americanas.

Mas o governo destaca que, nas novas licenças, apenas chineses, cubanos e russos estão excluídos. Teoricamente, o Brasil poderia voltar a investir.

O governo ainda olha com interesse para uma aproximação com o México, Marrocos, Angola e Nigéria.

Brasília considera que está entre os emergentes que pode melhor resistir aos impactos da guerra no Irã. Mas sabe que não ficará imune.




Jamil Chade
Jamil Chade

Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.


https://iclnoticias.com.br/brasil-aposta-em-latinos-e-africanos/


Postagens mais visitadas deste blog

RICOS, PAGUEM A CONTA!