Estamos atentos’, diz Renan Filho ao tratar de ameaça de greve dos caminhoneiros
Estamos atentos’, diz Renan
Filho ao tratar de ameaça de
greve dos caminhoneiros
Por Cleber Lourenço
O ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou ao ICL Notícias que o governo está “atento” aos desdobramentos da ameaça de paralisação de caminhoneiros e que novas medidas poderão ser adotadas, caso necessário. A principal ação em preparação é a edição de uma Medida Provisória para endurecer a fiscalização do piso mínimo do frete.
A declaração ocorre em meio à escalada da tensão no setor, impulsionada pela alta do diesel e pela percepção, entre caminhoneiros, de que o aumento de custos não vem sendo compensado no valor dos fretes. Nos bastidores, a avaliação no governo é de que a combinação entre pressão internacional sobre o petróleo e distorções no cumprimento da tabela do frete elevou o risco de mobilização.
Questionado sobre como o governo pretende reagir a uma eventual paralisação com bloqueios em rodovias, Renan Filho não detalhou um plano de contingência, mas indicou que o cenário é monitorado de forma contínua.
“O governo do Brasil está atento para minimizar os efeitos da Guerra EUA/Irã na economia brasileira e na vida das pessoas. As medidas anunciadas são importantes, se necessário novas virão e o diálogo está aberto”, afirmou ao ICL Notícias.
A fala reforça a linha adotada pelo governo de tratar o tema sob dois eixos: contenção de impactos econômicos mais amplos e tentativa de estabilização da relação com o setor por meio de medidas regulatórias e diálogo institucional.
MP do frete
Ao responder sobre o instrumento jurídico que será utilizado para endurecer as punições a empresas que descumprem a tabela do frete, o ministro foi direto:
“Medida Provisória do Frete”.
A opção pela MP indica que o governo pretende dar eficácia imediata às mudanças, sem depender inicialmente da tramitação no Congresso. Em coletiva realizada mais cedo, o ministro já havia sinalizado que o pacote em elaboração prevê medidas mais duras contra empresas reincidentes, incluindo restrições à contratação de fretes e ampliação da fiscalização eletrônica.
Dados apresentados pelo próprio ministério indicam que, nos últimos meses, houve aumento significativo nas autuações por descumprimento do piso mínimo, com centenas de milhões de reais em multas aplicadas e dezenas de milhares de infrações identificadas por meio de sistemas digitais.
Apesar disso, a avaliação dentro do governo é de que a multa isolada não tem sido suficiente para coibir a prática, o que motivou a adoção de medidas com potencial de impacto direto sobre a operação das empresas.
Interlocução e negociação
Sobre a interlocução com a categoria, Renan Filho evitou apontar lideranças específicas e destacou que o diálogo ocorre por meio de canais institucionais.
“Temos um Fórum Nacional de Caminhoneiros que é o ambiente para o diálogo. A ANTT também faz um trabalho de interlocução importante com caminhoneiros e com o setor produtivo. Vamos seguir trabalhando pelo funcionamento integral da economia brasileira”, disse ao ICL Notícias.
A estratégia indica uma tentativa de centralizar a negociação em instâncias formais, em um cenário marcado por mobilização descentralizada e sem liderança única reconhecida nacionalmente.
Pressão do diesel
A crise ocorre em paralelo à alta do preço do diesel, influenciada pela volatilidade do petróleo no mercado internacional. O próprio ministro já havia reconhecido que o cenário externo, agravado por tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã, tem impacto direto sobre os custos do transporte no Brasil.
Ainda assim, as medidas anunciadas pelo Ministério dos Transportes concentram-se no cumprimento da tabela do frete, sem anúncio de ações diretas sobre o preço dos combustíveis — tema que envolve outras áreas do governo.
A combinação entre aumento de custos, pressão por renda e dúvidas sobre a efetividade das medidas mantém o ambiente de incerteza no setor, enquanto o governo busca, por meio da MP e do diálogo institucional, reduzir o risco de uma paralisação com impacto nacional.
Nos bastidores, integrantes do governo afirmam que a estratégia pode ir além das medidas anunciadas pelo Ministério dos Transportes. A Advocacia-Geral da União (AGU) está de sobreaviso e já prepara uma linha de atuação judicial contra distribuidoras e redes de postos por eventuais práticas abusivas na formação de preços dos combustíveis.
A avaliação interna é de que, caso a pressão sobre o diesel continue e a mobilização avance, a atuação da AGU pode ser acionada como uma segunda frente para tentar conter a escalada de preços e reduzir o impacto sobre o setor de transporte.
