A maioridade dói. Exige responsabilidade. Mas é o único caminho para seguir em frente

 

Não é um 7 de setembro, mas um 2 de setembro. A data não carrega o peso simbólico da independência, mas pode vir a carregar o significado prático da consolidação de uma nação que decide, enfim, virar a página de um ciclo de violência política e ameaças constantes à sua soberania popular. Hoje, o Brasil não assiste a um mero julgamento. Ele protagoniza um ato cerimonial de sua maioridade democrática.


No banco dos réus, senta-se um ex-presidente da República. Ao seu lado, generais e almirante que um dia juraram defender a Constituição e agora respondem por tentar rasgá-la. Jair Bolsonaro e seus aliados são acusados de arquitetar uma tentativa de golpe de Estado após a derrota nas urnas em 2022. O objetivo era claro, como demonstram as milhares de mensagens, documentos e depoimentos já anexados aos autos: manter no poder um projeto rejeitado pela maioria dos eleitores.

A cortina de fumaça que tentam erguer, de que se trata de uma “perseguição política”, não resiste ao mais básico exame de realidade. O que está em julgamento não são ideias, mas ações. Não é a opinião, mas o crime. A liberdade de expressão, direito sagrado de qualquer cidadão, termina onde começa a conspiração para a destruição do próprio Estado Democrático de Direito que a garante. Ninguém pode tramar a deposição de um governo legitimamente eleito, estimular a invasão de sedes dos Três Poderes e incitar cidadãos a se levantarem contra as instituições.

O caminho até a sentença será barulhento. A tropa de choque do bolsonarismo tentará, como sempre, tumultuar com ajuda estrangeira, cortinas de fumaça, vitimização do líder e transformação do óbvio (o julgamento de um crime) em um “ato de exceção”. É a estratégia clássica do agressor que chora ao ser contido.

Mas hoje, 2 de setembro de 2025, o Brasil dá um passo fundamental. Não se trata de vingança e não é sobre o passado, mas sobre o futuro que queremos construir. Um país que prende e pune seus golpistas está, finalmente, se tornando adulto. E está dizendo, em alto e bom som, que a democracia não é uma opção, mas a única possibilidade.

A maioridade dói. Exige responsabilidade. Mas é o único caminho para seguir em frente

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