Senado aprova em 1º turno pauta-bomba com impacto de R$ 30 bilhões - aposentadoria para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias.


O Senado aprovou nesta terça-feira (14), em segundo turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 14/2021, que cria regras de aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias. A proposta recebeu 73 votos favoráveis, um contrário e uma abstenção. Como já foi aprovada pelas duas Casas do Congresso, o texto segue para promulgação.

A equipe econômica tentou impedir a votação em dois turnos ao longo do dia por considerar a medida de alto impacto fiscal. Mesmo assim, a proposta avançou, e o governo avalia recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar a emenda caso ela seja promulgada sem a indicação de uma fonte de financiamento.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a ausência de compensação financeira pode levar o Executivo a questionar a PEC na Justiça. “Se estiver não apontando fonte de receita, descumprindo a jurisprudência do Supremo, é provável que o governo vá ao Supremo”, declarou.

Segundo cálculos atualizados do Ministério da Previdência Social, a medida terá impacto de R$ 27,9 bilhões ao longo de dez anos. Desse total, R$ 17,6 bilhões recaem sobre o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), destinado aos servidores públicos, e R$ 10,3 bilhões sobre o Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Em uma projeção de 80 anos, a insuficiência financeira supera R$ 54 bilhões, já considerando a redução de receitas e a antecipação do pagamento de benefícios.

Nas galerias, agentes de saúde e convidados manifestam apoio ao parecer apresentado por Irajá. Fonte: Agência Senado

Apesar da posição contrária da área econômica, o Palácio do Planalto liberou os senadores da base para votarem conforme suas convicções. PSD, MDB, PP, Republicanos, PSDB, Podemos e União Brasil orientaram voto favorável.

A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), optou por não orientar voto contrário. Ela afirmou que, diante da liberação da bancada, não faria sentido assumir posição diferente da maioria dos aliados. Ao mesmo tempo, reconheceu que o governo deverá lidar com os efeitos da proposta após sua promulgação e destacou que a PEC traz impactos para o sistema previdenciário.

A emenda estabelece aposentadoria especial para os agentes que comprovarem 25 anos de exercício exclusivo na função e cumprirem idade mínima definida por uma regra de transição. Até 31 de dezembro de 2030, será exigida idade mínima de 50 anos para mulheres e 52 anos para homens. Até o fim de 2035, a exigência sobe para 52 e 54 anos, respectivamente. Até 31 de dezembro de 2040, passa para 54 anos para mulheres e 56 para homens. A partir de 1º de janeiro de 2041, a idade mínima será de 57 anos para mulheres e 60 anos para homens.

O texto também prevê aposentadoria por idade para mulheres a partir dos 60 anos e homens aos 63 anos, desde que tenham, no mínimo, 15 anos de contribuição e dez anos de atuação na atividade.

Além disso, a PEC proíbe a contratação temporária ou terceirizada desses profissionais, exceto em situações de emergência em saúde pública. A proposta determina ainda que trabalhadores terceirizados aprovados em processo seletivo público sejam automaticamente efetivados como servidores públicos após a promulgação da emenda. Estados e municípios terão até 31 de dezembro de 2028 para adequar suas estruturas às novas regras. 

https://iclnoticias.com.br/pauta-bomba-de-alcolumbre/

 

Senado aprova em 1º turno pauta-bomba com impacto de R$ 30 bilhões

Benefício concedido aos agentes de saúde pode elevar despesas públicas em cerca de R$ 27 bilhões durante a próxima década


Conteúdo postado por:


Redação Brasil 247

Publicado em 14 de julho de 2026 às 19:02


247 – O Senado aprovou, em primeiro turno, nesta terça-feira (14), a proposta de emenda à Constituição que cria regras especiais de aposentadoria para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias. 


A medida é tratada como uma pauta-bomba pelo impacto estimado em cerca de R$ 27 bilhões em dez anos, valor próximo de R$ 30 bilhões.


A projeção da Previdência Social considera uma despesa adicional de R$ 17,6 bilhões nos regimes próprios dos servidores públicos e de R$ 10,3 bilhões no Regime Geral de Previdência Social, administrado pelo Instituto Nacional do Seguro Social, o INSS.


Os senadores ainda devem analisar a proposta em segundo turno. 


Caso seja novamente aprovada sem alterações, a PEC seguirá diretamente para promulgação pelo presidente do Congresso Nacional e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que articulou a votação.


Como se trata de uma alteração na Constituição, a medida não será submetida à sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e não poderá ser vetada pelo Executivo.


A proposta também alcança agentes indígenas de saúde e agentes indígenas de saneamento, que passarão a ter acesso às condições previdenciárias previstas para as demais categorias contempladas.


Idade mínima menor para aposentadoria

Pelo texto aprovado, as mulheres poderão solicitar a aposentadoria especial a partir dos 57 anos, enquanto a idade mínima para os homens será de 60 anos.


Nos dois casos, será necessário comprovar pelo menos 25 anos de contribuição previdenciária e de exercício efetivo nas atividades abrangidas pela PEC.


As exigências são inferiores às regras gerais estabelecidas após a reforma da Previdência, que fixou idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens.


A mudança beneficia profissionais que atuam diretamente nas comunidades, em ações como acompanhamento de famílias, prevenção de doenças, vacinação, identificação de situações de vulnerabilidade e combate a focos de enfermidades transmitidas por vetores.


PEC estabelece período de transição


O texto cria uma regra de transição para os profissionais que já estão em atividade. 


Agentes que completarem 25 anos de contribuição e de exercício na função até 2030 poderão se aposentar com idade mínima de 50 anos, no caso das mulheres, e 52 anos, no caso dos homens.


Depois desse período, as idades mínimas aumentarão gradualmente. A cada cinco anos, será realizado um acréscimo de dois anos nos limites exigidos.


A partir de 2041, passarão a valer as idades definitivas de 57 anos para as mulheres e 60 anos para os homens.


A transição busca atender trabalhadores que ingressaram nas carreiras antes da definição das novas regras e que já acumulam um período elevado de contribuição e atuação profissional.


Integralidade e paridade

A proposta também assegura integralidade e paridade para parte dos agentes vinculados aos regimes próprios de Previdência Social, de acordo com a época de ingresso no serviço público e as normas aplicáveis a cada servidor.


A integralidade permite que o trabalhador se aposente recebendo o valor integral da remuneração ou de sua média salarial, conforme as regras previstas para o vínculo funcional.


Já a paridade garante que os aposentados recebam os mesmos reajustes e aumentos salariais concedidos aos servidores da ativa.


Esses benefícios ampliam o impacto financeiro da PEC, uma vez que os valores pagos aos aposentados poderão acompanhar a evolução das remunerações das categorias em atividade.


Regularização dos vínculos profissionais

Além de alterar as regras previdenciárias, a proposta determina a regularização dos vínculos funcionais dos agentes comunitários de saúde e de combate às endemias.


O texto proíbe a contratação temporária ou terceirizada desses profissionais, exceto em situações emergenciais de saúde pública.


A medida pretende reduzir vínculos considerados precários e consolidar a contratação direta dos agentes pelos estados, municípios e pelo Distrito Federal.


A regularização poderá elevar as despesas administrativas e de pessoal dos governos locais, que são os principais responsáveis pela contratação e pela manutenção dessas categorias no Sistema Único de Saúde.


Previdência calcula impacto de R$ 27 bilhões

A estimativa de impacto financeiro foi elaborada a partir dos dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde de agosto de 2025.


Naquele período, o país possuía 366.612 vínculos ativos de agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias.


Desse total, 230.842 estavam vinculados a regimes próprios de Previdência Social, destinados aos servidores públicos efetivos. Outros 135.770 profissionais estavam inscritos no Regime Geral de Previdência Social.


Nos cálculos da Previdência, o impacto acumulado durante os próximos 80 anos poderá superar R$ 54 bilhões. 


A projeção considera tanto a antecipação da concessão dos benefícios quanto a redução da arrecadação previdenciária provocada pela saída mais precoce dos trabalhadores da ativa.


A proposta passa a integrar um conjunto de medidas com potencial de pressionar as contas públicas, ao lado de iniciativas como a renegociação de dívidas de produtores rurais e o aumento do piso salarial dos médicos.


Governo tentou adiar votação

O governo federal tentou convencer Davi Alcolumbre a não pautar a PEC antes do recesso parlamentar.


O presidente do Senado manteve inicialmente o rito constitucional de cinco sessões de discussão, mas colocou a matéria em votação nesta terça-feira após o cumprimento desse prazo.


Lideranças governistas também tentaram manter o intervalo regimental entre o primeiro e o segundo turnos. 


Com isso, a conclusão da votação seria adiada para depois do recesso do Congresso.


Diante do amplo apoio entre os senadores, porém, Alcolumbre autorizou a quebra do intervalo e anunciou a intenção de concluir a análise da proposta.


A votação ocorre em um momento de desgaste na relação entre o Palácio do Planalto e o comando do Senado, agravado após a rejeição, pela Casa, da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.


Municípios calculam custo de R$ 69,9 bilhões

A Confederação Nacional de Municípios se posicionou contra a aprovação da PEC e estima que o impacto para as prefeituras com regimes próprios de Previdência poderá alcançar R$ 69,9 bilhões.


A entidade sustenta que a proposta interfere na autonomia administrativa, orçamentária e previdenciária dos municípios ao estabelecer novas obrigações sem indicar uma fonte permanente de financiamento.


Na avaliação da confederação, a aposentadoria antecipada, a regularização dos vínculos e a proibição de contratos temporários ou terceirizados aumentarão as despesas previdenciárias, administrativas e de pessoal.


A CNM também afirma que a mudança poderá comprometer o equilíbrio financeiro e atuarial dos regimes próprios mantidos pelas administrações municipais.


Segundo a entidade, as prefeituras já assumem uma parcela crescente do financiamento do SUS. Apenas em 2025, os municípios teriam aplicado aproximadamente R$ 63 bilhões em saúde além do mínimo determinado pela Constituição.


Sem uma compensação permanente da União, a confederação avalia que as novas despesas poderão reduzir a capacidade de investimento das prefeituras e afetar a oferta de outros serviços públicos.


PEC não pode ser vetada por Lula

Para ser aprovada definitivamente, uma proposta de emenda à Constituição precisa receber o apoio de pelo menos três quintos dos senadores, o equivalente a 49 votos, em dois turnos de votação.


Como a matéria já foi analisada pela Câmara dos Deputados, uma nova aprovação no Senado permitirá que o texto seja promulgado pelo Congresso, desde que não ocorram mudanças em seu conteúdo.


A entrada em vigor das novas regras dependerá da promulgação da emenda constitucional. Por não se tratar de um projeto de lei comum, o texto não seguirá para análise ou veto do presidente da República.

https://www.brasil247.com/brasil/senado-aprova-em-1o-turno-pauta-bomba-com-impacto-de-r-30-bilhoes/

Postagens mais visitadas deste blog

Jorge Messias