A aprovação de Lula voltou a superar numericamente a desaprovação, 48% a 47%,
A aprovação de Lula voltou a superar numericamente a desaprovação, 48% a 47%, e sua vantagem sobre Flávio Bolsonaro cresceu. Não é milagre: enquanto o senador coleciona crises (Michelle, Vorcaro, Tariflávio), o governo começou a perceber que eleição não se vence apenas garantindo benefícios aos pobres na base e os muito ricos celebrando lucros no topo. A espremida classe média também vota — e costuma decidir.
Nos últimos meses, medidas como a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil, renegociação de dívidas, derrubada da “taxa das blusinhas” e crédito mais barato para motoristas e entregadores de aplicativo começaram a atacar problemas concretos: imposto, dívida, consumo e renda disponível. A pesquisa Genial/Quaest de hoje mostra o efeito: entre quem ganha mais de cinco salários mínimos (grupo cuja maioria não é de ricos, mas de classe média), a aprovação subiu de 35% para 41%, enquanto a desaprovação caiu de 60% para 54%.
A mudança ganhou força com a troca de peças no núcleo do governo e uma dose maior de pragmatismo. Lula parece ter entendido que não basta dizer, em PowerPoint, que a economia vai bem enquanto quem está no meio paga juros, imposto e boleto. A parte não-polarizada da classe média pode não ser a base fiel de ninguém, mas é frequentemente o fiel da balança. E, ao que indica a pesquisa, voltou a sentir que o governo começou a falar de sua vida real.