Ciro Nogueira pagou R$ 136 mil a empresa de integrantes do ‘Gabinete do Ódio’

 


Ciro Nogueira pagou R$ 136 mil a empresa de integrantes do ‘Gabinete do Ódio’

Pagamentos foram mantidos mesmo com ação do STF contra um dos donos da agência
21/05/2026 | 10h00 

Por Igor Mello

O senador Ciro Nogueira contratou, por meio do diretório nacional do PP, do qual é presidente, uma agência de comunicação fundada por integrantes do “Gabinete do Ódio” do governo Jair Bolsonaro.

A Agência Mellon recebeu ao menos R$ 136,7 mil do PP entre 2023 e 2024, conforme apurou o ICL Notícias. Em 2024, ano que concentrou a maior parte dos pagamentos, mais de 99% das verbas disponíveis para o partido gastar vinham de recursos públicos — o Fundo Partidário e o Fundo Eleitoral.

A empresa foi fundada em maio de 2023 por três ex-assessores de Bolsonaro: José Matheus Sales Gomes, o Zuero, Mateus Matos Diniz, o Mateuzinho, e Leonardo Augusto Matedi Amorim. Atualmente, Mateus Diniz não figura mais entre os sócios da empresa.

Análise de redes sociais

A Agência Mellon foi contratada pelo diretório nacional do PP, presidido por Ciro Nogueira, poucos meses depois da fundação da empresa, em outubro de 2023. De acordo com registros de prestação de contas partidárias no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a empresa seguiu contratada pelo PP ao menos até dezembro de 2024.

José Matheus e Mateus Diniz foram alvos de diversas investigações por serem integrantes do núcleo de desinformação nas redes sociais montado por Carlos Bolsonaro dentro do Palácio do Planalto.

De acordo com o contrato firmado entre o PP, representado por Ciro Nogueira, e a Agência Mellon, os serviços prestados incluíram o clipping de notícias políticas e a “análise de sentimentos” nas redes sociais.

A contratação da Agência Mellon pelo PP ocorreu ao mesmo tempo em que a empresa recebia dinheiro público de outros políticos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), de quem Ciro Nogueira foi ministro da Casa Civil.

A empresa recebeu R$ 93,3 mil da Câmara dos Deputados em 2023, conforme revelou a colunista do ICL Notícias, Juliana Dal Piva, em 2024. Aproximadamente metade desse valor foi pago pelo gabinete do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), condenado pela tentativa de golpe de Estado em 2022 e atualmente foragido nos Estados Unidos. Assim como os integrantes do Gabinete do Ódio, Ramagem foi apontado como um dos artífices das campanhas de desinformação que atacavam desafetos de Bolsonaro.

Outros bolsonaristas que contrataram a Agência Mellon foram Marco Feliciano (PL–SP) e dois colegas de partido de Ciro Nogueira: Robinson Faria (PP-RN) e Dr. Allan Garcês.

O contrato do PP foi mantido mesmo depois de a Polícia Federal fechar o cerco contra o Gabinete do Ódio. Em julho de 2024, José Matheus Sales Gomes foi alvo de mandado de busca e apreensão na investigação sobre a chamada Abin paralela.

O ICL Notícias questionou Ciro Nogueira sobre a contratação da empresa, mas não obteve retorno até o momento. A Agência Mellon também foi contatada por e-mail e não se manifestou. O espaço segue aberto.

https://iclnoticias.com.br/ciro-nogueira-contratou-empresa-gabinete-odio/


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