Lula publica artigo que provoca a ONU e acende alerta sobre o extremismo
Lula ironiza ONU: 'Conselho de Segurança ou de Insegurança?'
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ironizou o Conselho de Segurança das Nações Unidas em artigo publicado na Folha de S.
Paulo, ao definir o organismo como "omisso" em meio ao aumento das tensões bélicas globais.
"Cada situação de descumprimento do direito internacional é um convite para novas violações", escreveu Lula no texto, intitulado "ONU: Conselho de Segurança ou de Insegurança?", citando as guerras no Afeganistão, Iraque, Irã, Síria, Ucrânia e Faixa de Gaza, além da crise na Venezuela, como alguns exemplos.
Segundo ele, "a linha que separa o que é permitido do que é proibido foi sendo borrada com a omissão cúmplice do Conselho de Segurança da ONU", cujos membros permanentes "agem sem amparo na Carta da ONU".
Em sua crítica ao órgão que deveria prezar pela paz mundial, Lula citou o aumento "das guerras e do unilateralismo" em uma "ordem mundial imprevisível".
"Poder desmedido é sinônimo de instabilidade. Um mundo sem regras é um mundo inseguro, onde qualquer um pode ser a próxima vítima", destacou o chefe de Estado.
O questionamento de Lula sobre as "ações unilaterais, medidas arbitrárias e ataques à soberania" parece ser uma crítica aos Estados Unidos de Donald Trump, sem citar país nem seu presidente nominalmente.
"Quando governos se deixam arrastar para a guerra pela intolerância ou arrogância do poder, plantam a semente do ressentimento que vai germinar mais ódio e violência", disse.
Esta não foi a primeira vez que o líder brasileiro demonstrou preocupação com o trabalho do Conselho de Segurança da ONU. No último 21 de março, durante participação no fórum da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e África, na Colômbia, Lula frisou que "o que estamos assistindo no planeta é a falta total e absoluta de funcionamento das Nações Unidas".
Em resposta a esse cenário em que a força prevalece sobre a racionalidade e a diplomacia, o mandatário de Brasília propôs um papel maior para o Conselho de Segurança da ONU, do qual são membros permanentes cinco países vitoriosos na Segunda Guerra e detentores de poder atômico: Estados Unidos, Rússia, França, China e Reino Unido.
"É hora de reagir com vigor, restituindo capacidade de ação a uma ONU reformada, para que ela deixe de ser mera espectadora dos eventos que nos afligem a todos", concluiu.
https://ansabrasil.com.br/brasil/noticias/lusofonia/2026/03/30/lula-ironiza-onu-conselho-de-seguranca-ou-de-inseguranca_17605b5c-6430-46af-995a-b8b5cc14d44a.html#:~:text=Lula%20ironiza%20ONU:%20'Conselho%20de,de%20L%C3%ADngua%20Portuguesa%20%2D%20Ansa.it&text=Lula%20ironiza%20ONU:%20'Conselho%20de%20Seguran%C3%A7a%20ou%20de%20Inseguran%C3%A7a?',-Lula%20ironiza%20ONU
ONU precisa de mais representatividade”, diz Lula
Em declaração à imprensa realizada na madrugada de hoje (21) na Índia, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu que a Organização das Nações Unidas (ONU) precisa ser mais representativa. Ao lado do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, Lula reafirmou a jornalistas que o Conselho de Segurança da ONU precisa ser ampliado e que há mais de 20 anos a Índia e o Brasil buscam participação permanente neste órgão, que é responsável pela manutenção da paz e segurança internacionais.

“A ONU precisa ter força para interferir nos conflitos que existem pelo mundo hoje e, ela sendo inoperante, ela não vai resolver. Por isso, nós vamos continuar a luta para que a ONU seja mais representativa, com mais países do mundo inteiro, e mais Índia e Brasil no Conselho de Segurança como membro permanente”, disse Lula. “A ampliação das categorias de membros permanentes e não permanentes é condição essencial para conferir legitimidade e eficácia à governança global em meio a tantos desafios”, reforçou.
Em reunião anterior com Modi, Lula disse ter reafirmado o compromisso do Brasil com a paz. “O primeiro ministro Modi e eu conversamos longamente sobre a perseverança no caminho da paz. Não há possibilidade de desenvolvimento sustentável e justo em um mundo conflagrado”, disse o presidente brasileiro. “Reafirmei ao primeiro-ministro Modi que o Brasil está comprometido com a manutenção da América do Sul como zona de paz. Afinal, as únicas guerras que a humanidade deve lutar são as guerras contra a fome e a pobreza e a preservação do meio-ambiente”, ressaltou Lula.
Ao lado de Lula, o primeiro-ministro indiano também defendeu a necessidade de reformas nos mecanismos internacionais.
"Nós acreditamos que a solução para todo o problema deve advir do diálogo e da diplomacia. A Índia e o Brasil concordam que o terrorismo e quem apoia o terrorismo são inimigos de toda a humanidade. E nós também concordamos que para contemplarmos os desafios do momento atual, as reformas nas instituições internacionais são obrigatórias. Nós temos que continuar trabalhando juntos nessa direção”, falou Modi.
Assinatura de acordos
Durante o encontro realizado hoje, em Nova Delhi, na Índia, os dois líderes assinaram um memorando de entendimentos nas áreas de pesquisa, saúde, empreendedorismo e minerais críticos. “O acordo assinado sobre minerais críticos e terras raras é um grande passo em direção a construir cadeias de suprimento resilientes”, disse Modi, em declaração à imprensa.
“É notável a evolução indiana em setores de ponta, como tecnologia da informação, inteligência artificial, biotecnologia e exploração especial. Isso cria muitas oportunidades de cooperação com o Brasil e traduz nosso compromisso com uma agenda que coloca tecnologia a serviço do desenvolvimento inclusivo. Ampliar os investimentos e a cooperação em matéria de energias renováveis e minerais críticos está no cerne do acordo pioneiro que assinamos hoje”, destacou Lula.
Na área de saúde, Lula destacou que os memorandos assinados hoje se referem a “acordos para pesquisa e produção local de insumos estratégicos como a vacina para tuberculose e medicamentos oncológicos imunossupressores e para doenças negligenciadas e raras”. O acordo também inclui colaboração na área de hospitais inteligentes.
Além disso, ambos os países assinaram acordos para ampliação das trocas comerciais, que já superaram US$ 15 bilhões em 2025, um valor considerado histórico, segundo Lula. O Brasil é o maior parceiro comercial da Índia na América Latina e os dois países estabeleceram a meta de alcançar US$ 20 bilhões para o comércio bilateral até 2030. “Nós estamos comprometidos em levar o nosso comércio bilateral acima de US$ 20 bilhões nos próximos 5 anos. O nosso comércio não é só um número. Ele é um símbolo do nossa confiança mútua”, reforçou Modi.
“Estamos avançando tão rápido, que deveríamos revisitar nosso objetivo para chegar a US$ 30 bilhões no intercâmbio até 2030. Se depender da delegação empresarial brasileira que veio para Índia, nós vamos surpreender a nossa relação bilateral”, disse Lula, arrancando risos de Modi.
Edição: