Europa pede que trabalhadores fiquem em casa diante de crise do petróleo
Europa pede que trabalhadores fiquem em casa diante de crise do petróleo
Num gesto que ecoa os apelos feitos pelas autoridades durante a pandemia da covid-19, a Comissão Europeia recomendou que a população do bloco opte por home office, por viajar menos e até por reduzir a velocidade ao andar de carro pelas estradas.
O pedido é resultado do impacto da guerra no Irã no abastecimento de energia num continente que já vivia uma situação complicada com a guerra na Ucrânia.
Enquanto o abastecimento global vive um momento de tensão, o presidente Donald Trump fará um pronunciamento à nação na noite desta quarta-feira sobre a guerra no Irã, disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt.
O anúncio ocorreu logo após Trump ter dito a repórteres na Casa Branca que as forças americanas poderiam deixar o Oriente Médio em “duas ou três semanas”.
Os europeus, porém, não podem esperar. O alerta sobre os combustíveis foi emitido pelo comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, que destacou que o continente enfrenta uma “situação muito grave”. “Mesmo que a paz chegue amanhã, ainda assim não voltaremos à normalidade num futuro próximo”, disse.
“Quanto mais pudermos fazer para economizar petróleo, especialmente diesel e querosene de aviação, melhor para todos nós”, disse Jørgensen.
O apelo dos europeus é para que os governos iniciem um trabalho de convencimento com suas populações para que sejam adotadas as recomendações da Agência Internacional de Energia.
Elas incluem:
Trabalhe em casa sempre que possível para economizar gasolina.
Reduza os limites de velocidade nas rodovias em pelo menos 10 km/h para diminuir o consumo de combustível.
Incentive o uso do transporte público para reduzir a demanda por petróleo.
Limite o acesso de carros às vias públicas em grandes cidades por meio de um sistema de rodízio de placas.
Incentive o compartilhamento de carros.
Incentive a condução eficiente de veículos comerciais por meio da otimização da carga e da manutenção preventiva.
Reduza o uso de GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) do transporte para preservá-lo para necessidades essenciais, como cozinhar.
Evite viagens aéreas sempre que possível.
Incentive o uso de fogões elétricos e outras opções para reduzir a dependência de GLP.
Auxilie as instalações industriais a alternarem entre diferentes matérias-primas petroquímicas para liberar GLP.
Para ele, porém, a crise deve forçar a UE a repensar sua dependência energética. “Este deve ser o momento em que finalmente revertemos a situação e nos tornemos verdadeiramente independentes em termos energéticos”, defendeu.
“A guerra no Oriente Médio criou a maior interrupção no fornecimento de petróleo da história”, completou a Agência Internacional de Energia (AIE).
Semana de 4 dias
Nas últimas semanas, diversos governos ao redor do mundo fizeram pedidos semelhantes.
Em um comunicado em meados de março, o Ministério da Indústria e Comércio do Vietnã pediu às empresas:
“Sempre que possível, o trabalho remoto também pode ajudar a reduzir a demanda por viagens e transporte.”
Paquistão, Tailândia e Filipinas emitiram uma série de diretrizes incentivando o trabalho flexível, incluindo o trabalho em casa, semanas de trabalho de quatro dias e o uso das escadas em vez do elevador.
O Egito reduziu a iluminação pública, restringiu o horário de funcionamento dos estabelecimentos comerciais e aumentou os preços dos combustíveis em até 22% para lidar com os custos crescentes.
Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.
https://iclnoticias.com.br/europa-pede-que-trabalhadores-fiquem-em-casa-diante-de-crise-do-petroleo/
