Opinião - hermescarvalhofernandes
De todas as alas da Acadêmicos de Niterói, a que mais me chamou atenção foi aquela em que a fantasia trazia latas de conserva abertas, estampadas com a imagem de uma “família tradicional” sob um arco-íris.
Alguns pastores vieram a público afirmar que a escola zombou dos evangélicos. Sinceramente, não vi escárnio religioso algum.
O que vi foi crítica política.
Uma crítica aos que usam a “família tradicional” como embalagem bonita para esconder o que há de mais tóxico na prática política.
Uma crítica aos que usam a “família tradicional” como embalagem bonita para esconder o que há de mais tóxico na prática política.
A lata está ali como símbolo: rótulo atraente por fora, conteúdo questionável por dentro.
Conserva-se o discurso, mas à custa de conservantes que intoxicam a saúde social.
Ódio, preconceito, fake news, pânico moral.
Em uma das latas, uma mão fazendo o sinal de arminha.
Ódio, preconceito, fake news, pânico moral.
Em uma das latas, uma mão fazendo o sinal de arminha.
Em outras, personagens com nariz de Pinóquio.
Logo atrás, uma ala inteira usando o boné do trumpismo, numa referência direta ao imaginário político importado dos Estados Unidos.
O Carnaval, como sempre, fez o que a arte sabe fazer: expôs contradições.
O Carnaval, como sempre, fez o que a arte sabe fazer: expôs contradições.
Quem se sentiu atingido talvez não esteja sendo perseguido.
Talvez esteja apenas se reconhecendo no espelho.


