Na política, o calendário também é discurso. Ao afastar cautelarmente o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, André Mendonça não apenas interferiu no Executivo: entrou, de toga, no debate eleitoral

Na política, o calendário também é discurso. Ao afastar cautelarmente o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, André Mendonça não apenas interferiu no Executivo: entrou, de toga, no debate eleitoral

A decisão joga suspeita sobre o governo Lula justamente às vésperas das urnas e alimenta a narrativa de colapso institucional que beneficia a direita. Por mais que a PF esteja livre para investigar Master e INSS, tanto que estamos sabendo dos crimes graças a ela.

Isso não absolve Alexandre de Moraes. Confirmadas as relações promíscuas com Daniel Vorcaro e, eventuais, crimes, que explique e responda legalmente por isso. O problema é vender Mendonça como herói imparcial quando sua indignação parece seletiva. 

O ministro alegou estar sendo monitorado pela PF e afastou também o diretor de inteligência da corporação. Poderia ter esperado o fim da eleição. Preferiu detonar a crise agora.

O objetivo dessa tempestade perfeitamente cronometrada é ajudar a direita na eleição ao tentar colar no eleitor a percepção de que as instituições colapsaram, de que tudo virou um caos absoluto e de que, portanto, é preciso de “alguém novo” para botar ordem na bagunça.

E a seletividade chama atenção: agiu com velocidade contra a cúpula da PF no caso Master, mas não demonstra a mesma urgência diante das relações de Flávio Bolsonaro com Vorcaro. E se há 130 milhões de razões para criticar o relacionamento entre Moraes e Vorcaro, também há 130 milhões de razões para criticar o relacionamento de Flávio e Vorcaro.

Ao escolher o momento exato para lançar essa granada política, Mendonça reforça o Supremo como palanque. Não é apenas partidarismo institucional. É campanha de toga.

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