Flávio Bolsonaro perderia para Haddad e Alckmin no segundo turno, aponta Atlas
Flávio Bolsonaro perderia para Haddad e Alckmin no segundo turno, aponta Atlas
Por Cleber Lourenço
A nova pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta segunda-feira (19) mostra que Flávio Bolsonaro enfrentaria dificuldades mesmo em cenários de segundo turno sem a presença do presidente Lula.
Segundo o levantamento, o senador perderia não apenas para Lula, mas também para Fernando Haddad e Geraldo Alckmin em disputas hipotéticas de segundo turno para a Presidência da República em 2026.
Nos cenários testados pela Atlas, Haddad aparece com 46,7% contra 43% de Flávio Bolsonaro. Já Alckmin venceria o senador por 46,4% a 42,3%.
Os números surgem na esteira da repercussão dos áudios e mensagens revelados pelo Intercept Brasil envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A própria pesquisa Atlas indica impacto político direto do episódio sobre a imagem do senador.
Segundo o levantamento, 51,4% dos entrevistados afirmaram que a divulgação das conversas enfraqueceu a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Outros 48,5% disseram que ficaram menos dispostos a votar no senador após tomarem conhecimento do conteúdo dos áudios e mensagens.
Outro dado que chamou atenção de integrantes da articulação política do Palácio do Planalto foi a percepção pública sobre o teor das conversas. A Atlas identificou que a maior parte dos entrevistados entende que os diálogos entre Flávio e Vorcaro retratam tráfico de influência, corrupção ou relações impróprias entre política e setor financeiro.
Os números reforçam uma percepção que começa a circular nos bastidores políticos: o bolsonarismo ainda mantém um núcleo duro consolidado, mas enfrenta dificuldades para ampliar sua base fora da polarização direta com Lula.
O dado chama atenção porque Haddad e Alckmin não possuem hoje a mesma força eleitoral ou mobilização política do presidente da República. Ainda assim, ambos aparecem à frente de Flávio.
Outro ponto observado por integrantes da articulação política do Palácio do Planalto é que os números sugerem um desgaste que já ultrapassa a rejeição histórica ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A avaliação reservada é que Flávio agora enfrenta não apenas o desgaste herdado do pai, mas também uma rejeição própria impulsionada pela repercussão do caso envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master.
Nos bastidores, a leitura é que o senador ainda não conseguiu consolidar uma imagem capaz de ampliar votos entre eleitores moderados e setores independentes. A avaliação é que o episódio atingiu justamente um segmento estratégico para qualquer candidatura competitiva: o eleitor de centro que rejeita conflitos políticos permanentes e possui baixa tolerância a escândalos envolvendo bancos, empresários e influência política.
A Atlas entrevistou 5.032 pessoas entre os dias 13 e 18 de maio. A margem de erro é de um ponto percentual.
https://iclnoticias.com.br/flavio-bolsonaro-perderia-para-haddad-e-alckmin/

