Deputado citado em áudios sobre emendas é sócio de Ciro Nogueira - Instituto Conhecimento Liberta

 

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Carbono Oculto 86: Deputado citado em áudios sobre emendas é sócio de Ciro Nogueira   

Júlio Arcoverde é mencionado em conversas sobre negociação de emendas parlamentares 
18/05/2026 | 05h00 

Por  Alice Maciel 

Além do senador Ciro Nogueira (PP-PI), o deputado federal Júlio Arcoverde (PP-PI) aparece em mensagens encontradas nos celulares de empresários investigados pela Polícia Civil do Piauí na Operação Carbono Oculto 86. Os diálogos sugerem negociações envolvendo emendas parlamentares.

Arcoverde é sócio do senador na empresa JJE Agenciamento de Seguros e Serviços. Com sede em Teresina (PI), a empresa atua nos setores de reparo, manutenção e comercialização de peças automotivas, de acordo com registros da Receita Federal.

A Operação Carbono Oculto 86 é um desdobramento da investigação homônima que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), com atuação no setor de postos de combustíveis. No Piauí, a operação recebeu o número 86, em referência ao DDD local.

Ciro Nogueira e Arcoverde não são investigados, mas a Polícia Civil do Estado solicitou o envio do caso ao Supremo Tribunal Federal (STF), após a investigação identificar menções aos parlamentares com foro privilegiado nas mensagens apreendidas nos celulares dos empresários Haran Santhiago Girão Sampaio e Danillo Coelho de Sousa.

Em abril, o ICL Notícias publicou os áudios obtidos pela Polícia Civil que indicam uma suposta proximidade entre Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Ciro Nogueira. Em uma das gravações, Danillo afirma que Beto Louco – apontado como um dos líderes da máfia dos combustíveis – seria “muito amigo” do senador piauiense.

Já o nome de Júlio Arcoverde surge em áudios em que empresários discutem recursos destinados ao município de Caxias, no Maranhão, com referência a emendas parlamentares.  A existência dessas conversas foi revelada pela Revista Piauí.

Em uma das mensagens, Danillo afirma: “O problema foi porque o prefeito cobrou os 130. Mesmo a gente já tendo pago para o Júlio, ele cobrou os 130 de novo. Aí a gente teve que dar para aquele ‘fela’ da puta, daquele prefeito. Aí o Júlio tinha que devolver os 130. Aí ele não devolveu”.

Na sequência, o empresário continua: “Quando a gente for acertar com ele essa emenda de Caxias, nós vamos já dizer: ‘Opa, Júlio, eu já te dei os 130’. Na hora que o dinheiro de Caxias entrar, é a hora que nós vamos puxar os 130 de volta.”

Em outro trecho da conversa, Danillo indica o rompimento de um suposto acordo envolvendo o deputado federal: “Esse negócio que a gente fez de compromisso com o Júlio aí acabou. Não tem mais. […] Pode ser uma emenda de R$ 1 trilhão. Não pago nada mais. Não faço mais nenhum compromisso daqui pra frente. Zero”.

Caxias é administrada pelo prefeito José Gentil Rosa Neto. Ele se filiou ao PP em abril de 2024, durante evento que contou com a presença de lideranças da legenda, entre elas Ciro Nogueira, presidente nacional do partido.

Ciro Nogueira participou da festa de filiação do prefeito de Caxias Gentil Neto, em 2024

É em Caxias também onde está registrada a sede de uma das empresas do senador, a Ciro Nogueira Comércio de Motocicletas (CN Motos), citada na operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e corrupção ligadas ao Banco Master. De acordo com investigação da PF, o senador recebia uma mesada do ex-dono do banco, Daniel Vorcaro.

O ICL Notícias entrou em contato com Ciro Nogueira, com o deputado Júlio Arcoverde, com a prefeitura de Caxias e com os empresários Haran Sampaio e Danillo de Sousa, mas não obteve retorno. Em nota enviada à reportagem em abril, após o caso vir à tona, Arcoverde informou desconhecer “quaisquer menções relacionadas ao seu nome no contexto citado”. Ele acrescentou que não é investigado no âmbito da operação, “nem em qualquer outro inquérito”.

Contrato milionário na saúde

Os investigadores do Piauí suspeitam que o suposto esquema envolvendo emendas parlamentares em Caxias, citado no áudio de Danillo, possa ter relação com a Distribuidora Mercury Medicamentos. A empresa é controlada pela Pima Energia Participações Ltda., que é investigada no âmbito do esquema ligado à máfia dos combustíveis.

A Mercury Medicamentos firmou, entre 2024 e 2025, três contratos com a prefeitura de Caxias para o fornecimento de medicamentos e material odontológico, que somam R$ 22,9 milhões. No contrato mais vultoso, assinado em maio do ano passado – com vigência de um ano e valor de R$ 22,5 milhões – o município aderiu a uma ata de registro de preços do Consórcio de Municípios Médio Paranaíba do Piauí (Comepa), por meio do mecanismo conhecido como “carona”, dispensando a realização de uma nova licitação.

Em dezembro, no entanto, o Tribunal de Contas do Piauí identificou irregularidades no certame conduzido pelo Comepa e suspendeu os contratos envolvendo os municípios piauienses Picos e São Gonçalo do Piauí com a Mercury Medicamentos.

O contrato de Caxias com a distribuidora de medicamentos foi pago com recursos do Fundo Municipal de Saúde, que recebeu R$ 43,3 milhões em emendas parlamentares entre 2025 e maio de 2026. Desse total, mais de 60% (R$ 27,9 milhões) foram destinados pela deputada federal Amanda Gentil, prima do prefeito José Gentil Rosa Neto. Ela presidiu o PP no Maranhão de outubro de 2025 a abril de 2026.

Mesma empresa aparece no esquema dos combustíveis

A Pima Energia, que controla a Distribuidora Mercury Medicamentos, foi a empresa usada na compra da rede de postos HD, de Haran Sampaio e Danillo de Sousa.  A transação é tratada pelos investigadores como um dos indícios da expansão do esquema da máfia de combustíveis de São Paulo para o Piauí.

Conforme relatório da Polícia Civil, a Pima Energia foi aberta na capital paulista apenas seis dias antes da compra da rede de postos HD, o que levantou suspeitas sobre a finalidade da empresa.

Os investigadores também afirmam que, apesar da mudança societária, houve apenas uma “substituição de bandeira (de HD para Pima e Diamante) sem alteração operacional real”, o que reforçaria a hipótese de uma venda de fachada.

Após a conclusão da negociação, Moisés Eduardo Soares Pereira passou a figurar como único sócio da Pima Energia. Segundo a Polícia Civil, ele é ex-funcionário de Haran Sampaio e Danillo de Sousa e é suspeito de atuar como laranja dos empresários.

Em março, Haran, Danillo e o ex-assessor de Ciro Nogueira, Victor Linhares, foram denunciados pelo Ministério Público do Piauí (MP-PI) pelos crimes de adulteração de combustíveis, ocultação de patrimônio, lavagem de dinheiro e associação com Beto Louco e seu parceiro, Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo.  .

O inquérito havia sido trancado em abril, por determinação judicial, mas após recurso do MPPI, o Tribunal de Justiça do Piauí determinou a retomada da investigação. 

https://iclnoticias.com.br/carbono-oculto-86-deputado-citado-em-audios-sobre-emendas-e-socio-de-ciro-nogueira/ 


Operador do fundo que teve dinheiro de Vorcaro comprou casa em cidade onde vive Eduardo Bolsonaro

O ex-secretário de fomento à cultura do governo Bolsonaro, André Porciúncula, é quem assina o documento da compra
17/05/2026 | 10h17 


Publicada originalmente às 06h52 do dia 16/05*

Por Alice Maciel

Uma casa em Arlington, no Texas (Estados Unidos), cidade onde vive o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL/SP), foi comprada numa operação que envolveu o ex-secretário de fomento à cultura André Porciúncula e uma trust ligada ao advogado Paulo Calixto.

Radicado nos EUA, Calixto é o representante do fundo que, segundo revelou o The Intercept Brasil, recebeu dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para supostamente financiar a produção do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Conforme apurou o ICL Notícias com base em documentos do estado do Texas, o imóvel foi adquirido em 27 de fevereiro deste ano por US$ 726,3 mil, cerca de R$ 3,6 milhões. Porciúncula, que já foi sócio de Eduardo Bolsonaro numa empresa em Arlington, é quem assina o negócio como representante da Mercury Legacy Trust.

A Trust — estrutura jurídica usada para administrar bens — por sua vez, é controlada pela Calixsan Capital Management, empresa em que Calixto e o corretor de imóveis Altieris Santana são sócios. A Mercury Legacy Trust foi registrada em Dallas (Texas) no mesmo endereço do fundo Havengate Development Fund LP, por onde passou o dinheiro Daniel Vorcaro.

De acordo com o The Intercept Brasil, a transação foi feita por meio da Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria com os negócios de Vorcaro. A Polícia Federal investiga se a verba do ex-dono do Banco Master foi usado para bancar Eduardo Bolsonaro nos EUA.

Nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro negou que tenha sido beneficiado com o dinheiro de Vorcaro e disse que a suspeita da PF é “tosca” porque, segundo ele, seu status de migração vedaria recebimento de valores. Flávio Bolsonaro também negou que seu irmão tenha sido beneficiado com os recursos. A reportagem tenta contato com ambos e também com Porciúncula, Calixto e Santana. Caso haja resposta, o texto será atualizado.

Paulo Calixto – Foto: Reprodução

Daniel Vorcaro transferiu ao menos R$ 61 milhões

Mensagens indicam a existência de uma negociação em que Vorcaro se comprometeu a repassar um total de US$ 24 milhões (na época equivalentes a cerca de R$ 134 milhões) para financiar a produção de Dark Horse.

Pelo menos US$ 10,6 milhões  — cerca de R$ 61 milhões, considerando a cotação do dólar nos períodos das transferências – foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações, de acordo com o The Intercept Brasil.

Em outra reportagem, o The Intercept Brasil mostrou que Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mário Frias — ex-secretário de Cultura do governo de Jair Bolsonaro, à época chefe de Porciúncula — atuaram como produtores-executivos de Dark Horse, com responsabilidades e poder sobre a gestão financeira do projeto.

Segundo o site, Eduardo Bolsonaro, junto a Mario Frias e outros produtores, teriam responsabilidade sobre as decisões de como os recursos seriam captados e gastos. Não há informação, porém, sobre quem, de fato, executou essas funções.

André Porciúncula
André Porciúncula

Contrato para filme coincide com período em que Eduardo Bolsonaro abre empresa nos EUA

Trechos do contrato de produção publicado pelo Intercept Brasil, indicam que, apesar de o documento ter sido assinado apenas em janeiro de 2024 por Eduardo Bolsonaro, ele foi elaborado em novembro de 2023. Em março do mesmo ano, o então deputado federal fundou uma holding nos EUA, a Braz Global Holding, em sociedade com André Porciúncula e o empresário Paulo Generoso — que apoiou os atos golpistas de 8 de janeiro.

A empresa foi registrada por Generoso no endereço de sua casa à época, em Arlington. No mesmo local, em um curto espaço de tempo, Paulo Generoso abriu outras duas empresas: a Liber Group Brasil, em 13 de janeiro, e o Instituto Liberdade, em 8 de fevereiro. Nessas, Eduardo Bolsonaro não apareceu oficialmente como sócio, apenas Generoso, André Porciúncula e outra ex-servidora do governo Bolsonaro, Raquel Brugnera. A informação foi revelada pela Agência Pública em parceria com o portal Uol e o Centro Latinoamericano de Investigação Jornalística (CLIP).

A Braz Holding administrou de 31 de março a 27 de julho de 2023, uma empresa com sede na Flórida que se definia como “especialista no fornecimento internacional de alimentos frescos e congelados”. Cerca de um ano depois, a Braz Holding foi encerrada.

Das três empresas abertas por Eduardo e seus sócios em 2023, quando seu pai fugiu para os EUA, apenas o Instituto Conservador Liberal continua ativo. A organização passou a ser administrada por Paulo Calixto, o advogado encarregado do processo imigratório de Eduardo Bolsonaro nos EUA, envolvido no fundo que recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro.

A relação entre os dois não é de hoje. Calixto e o deputado cassado se conhecem ao menos desde agosto de 2023, quando divulgaram nas redes um encontro que aconteceu no Brasil.


https://iclnoticias.com.br/operador-fundo-vorcaro-compra-casa-texas/

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