PF transfere Vorcaro para cela comum após entrega inicial da delação

 

PF transfere Vorcaro para cela comum após entrega inicial da delação

Ex-controlador do Banco Master perdeu regime especial de custódia após PF e PGR iniciarem análise do material entregue na colaboração
18/05/2026 | 20h33 

Por Cleber Lourenço

Daniel Vorcaro foi retirado da sala especial onde estava custodiado na Superintendência da Polícia Federal em Brasília e transferido para uma cela comum após a entrega inicial dos anexos de sua proposta de colaboração premiada. A mudança ocorreu nesta segunda-feira (18) e, segundo fontes envolvidas no caso, marca o encerramento da primeira etapa da delação do ex-controlador do Banco Master.

A Polícia Federal também endureceu as regras de custódia impostas ao banqueiro. O acesso dos advogados foi drasticamente reduzido: antes era praticamente livre entre 9h e 17h, agora está limitado a apenas duas visitas diárias de 30 minutos, sem instrumentos de trabalho.

Segundo relatos obtidos pela reportagem, a avaliação é de que o regime diferenciado concedido a Vorcaro tinha caráter operacional e existia exclusivamente para facilitar a produção, organização e entrega das informações da colaboração. “Como entregou, agora tem análise da PF e PGR”, afirmou uma das fontes envolvidas com o caso ouvida pela reportagem.

De acordo com interlocutores que acompanham as negociações, Vorcaro estava submetido a uma rotina diferenciada justamente para ampliar o contato com advogados e permitir a elaboração dos anexos da delação. “Ele estava num ‘regime’ com mais contato pra passar as coisas que ele tinha”, afirmou a fonte.

Com a conclusão dessa etapa, os investigadores entenderam que não haveria mais justificativa para manutenção do tratamento especial. “Como em tese ele já apresentou o que tinha, não precisa ficar em uma situação diferenciada. Então volta a seguir o regramento ordinário da PF”, disse o interlocutor.

Além disso, outro elemento pode ter motivado a movimentação: envolvidos no caso passaram a suspeitar que informações sigilosas sobre a colaboração premiada, estratégias de negociação e detalhes internos do caso Master estariam vazando a partir do próprio entorno de Vorcaro. Algo que teria provocado irritação de todos os envolvidos nas investigações, especialmente após informações sensíveis começarem a circular em grupos políticos e jurídicos de Brasília quase em tempo real.

Incômodo de ministro com vazamentos

O ministro André Mendonça também não esconde a crescente irritação e incomodo os seguidos vazamentos e especulações envolvendo o caso. No início do mês o gabinete do ministro já havia enviado uma nota ao ICL Notícias desmentindo os boatos de que estaria em posse do conteúdo da delação

Conforme já noticiado pelo ICL Notícias, a avaliação da equipe do gabinete é que vazamentos podem provocar prejuízos diretos à própria investigação. Um dos pontos levantados é que a divulgação antecipada de determinadas informações pode alertar investigados sobre linhas de apuração ainda em andamento.

Outro temor é que materiais vazados acabem gerando interpretações públicas sobre fatos que já teriam sido analisados pela Polícia Federal sem identificação de indícios de crime.

A suspeita é de que o fluxo ampliado de comunicação e contato externo durante a fase de elaboração da colaboração possa ter facilitado a disseminação de informações reservadas.

A leitura unânime é de que Vorcaro pode não ter apresentado todas as informações esperadas pela PF. Ao ser questionado se o banqueiro ainda poderia entregar novos elementos, uma das fontes respondeu: “pode até ser, mas aí estaria com advogados”.

Segundo essa mesma fonte, não é descartada a possibilidade de retomada do tratamento diferenciado caso os investigadores entendam que ainda há informações relevantes a serem entregues. “Se ele for falar mais e a PF entender necessário, aí eles devem pedir pra voltar”, afirmou a fonte.

As mudanças ocorreram dias após reunião entre integrantes da Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (Cinq) da Polícia Federal e o ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF. A Cinq é a unidade da PF responsável por investigações de alta complexidade em tramitação no Supremo Tribunal Federal.

Nos bastidores de Brasília, investigadores passaram a interpretar que o caso Vorcaro entrou em uma nova fase: menos centrada na produção dos anexos da colaboração e mais focada na análise, validação e checagem do material já entregue. 

https://iclnoticias.com.br/vorcaro-vai-para-cela-comum-apos-delacao/

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