PF transfere Vorcaro para cela comum após entrega inicial da delação
PF transfere Vorcaro para cela comum após entrega inicial da delação
Por Cleber Lourenço
Daniel Vorcaro foi retirado da sala especial onde estava custodiado na Superintendência da Polícia Federal em Brasília e transferido para uma cela comum após a entrega inicial dos anexos de sua proposta de colaboração premiada. A mudança ocorreu nesta segunda-feira (18) e, segundo fontes envolvidas no caso, marca o encerramento da primeira etapa da delação do ex-controlador do Banco Master.
A Polícia Federal também endureceu as regras de custódia impostas ao banqueiro. O acesso dos advogados foi drasticamente reduzido: antes era praticamente livre entre 9h e 17h, agora está limitado a apenas duas visitas diárias de 30 minutos, sem instrumentos de trabalho.
Segundo relatos obtidos pela reportagem, a avaliação é de que o regime diferenciado concedido a Vorcaro tinha caráter operacional e existia exclusivamente para facilitar a produção, organização e entrega das informações da colaboração. “Como entregou, agora tem análise da PF e PGR”, afirmou uma das fontes envolvidas com o caso ouvida pela reportagem.
De acordo com interlocutores que acompanham as negociações, Vorcaro estava submetido a uma rotina diferenciada justamente para ampliar o contato com advogados e permitir a elaboração dos anexos da delação. “Ele estava num ‘regime’ com mais contato pra passar as coisas que ele tinha”, afirmou a fonte.
Com a conclusão dessa etapa, os investigadores entenderam que não haveria mais justificativa para manutenção do tratamento especial. “Como em tese ele já apresentou o que tinha, não precisa ficar em uma situação diferenciada. Então volta a seguir o regramento ordinário da PF”, disse o interlocutor.
Além disso, outro elemento pode ter motivado a movimentação: envolvidos no caso passaram a suspeitar que informações sigilosas sobre a colaboração premiada, estratégias de negociação e detalhes internos do caso Master estariam vazando a partir do próprio entorno de Vorcaro. Algo que teria provocado irritação de todos os envolvidos nas investigações, especialmente após informações sensíveis começarem a circular em grupos políticos e jurídicos de Brasília quase em tempo real.
Incômodo de ministro com vazamentos
O ministro André Mendonça também não esconde a crescente irritação e incomodo os seguidos vazamentos e especulações envolvendo o caso. No início do mês o gabinete do ministro já havia enviado uma nota ao ICL Notícias desmentindo os boatos de que estaria em posse do conteúdo da delação
Conforme já noticiado pelo ICL Notícias, a avaliação da equipe do gabinete é que vazamentos podem provocar prejuízos diretos à própria investigação. Um dos pontos levantados é que a divulgação antecipada de determinadas informações pode alertar investigados sobre linhas de apuração ainda em andamento.
Outro temor é que materiais vazados acabem gerando interpretações públicas sobre fatos que já teriam sido analisados pela Polícia Federal sem identificação de indícios de crime.
A suspeita é de que o fluxo ampliado de comunicação e contato externo durante a fase de elaboração da colaboração possa ter facilitado a disseminação de informações reservadas.
A leitura unânime é de que Vorcaro pode não ter apresentado todas as informações esperadas pela PF. Ao ser questionado se o banqueiro ainda poderia entregar novos elementos, uma das fontes respondeu: “pode até ser, mas aí estaria com advogados”.
Segundo essa mesma fonte, não é descartada a possibilidade de retomada do tratamento diferenciado caso os investigadores entendam que ainda há informações relevantes a serem entregues. “Se ele for falar mais e a PF entender necessário, aí eles devem pedir pra voltar”, afirmou a fonte.
As mudanças ocorreram dias após reunião entre integrantes da Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (Cinq) da Polícia Federal e o ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF. A Cinq é a unidade da PF responsável por investigações de alta complexidade em tramitação no Supremo Tribunal Federal.
Nos bastidores de Brasília, investigadores passaram a interpretar que o caso Vorcaro entrou em uma nova fase: menos centrada na produção dos anexos da colaboração e mais focada na análise, validação e checagem do material já entregue.
https://iclnoticias.com.br/vorcaro-vai-para-cela-comum-apos-delacao/