Davi Alcolumbre operou como um juiz de vídeo que olha o monitor, enxerga a irregularidade, mas decide que o jogo deve seguir.
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Por Ricardo Noblat
Davi Alcolumbre operou como um juiz de vídeo que olha o monitor, enxerga a irregularidade, mas decide que o jogo deve seguir.
Ao validar a “matemática criativa” do senador Carlos Viana na CPMI do INSS, o presidente do Senado abriu um perigoso precedente no Congresso: o interesse político e eleitoral está de fato acima do regimento e regras da Casa.
O argumento de Alcolumbre é de um pragmatismo gélido: mesmo que o presidente da comissão tenha “se equivocado” na contagem visual, o quórum de presença no painel daria a vitória à oposição de qualquer jeito.
Ora, para que serve então uma votação presencial, se o que vale é o quadro? Das próximas, valerá um plenário vazio. Basta apertar o botão e sair para o almoço, ou para coisas “mais sérias” (contém ironia).
Não obstante, a pressa da oposição em quebrar o sigilo ignora um fato incômodo: Lulinha já havia colocado todos os seus dados bancários e fiscais à disposição da Polícia Federal e do Ministério Público muito antes deste “teatro” parlamentar. Se as autoridades técnicas já têm acesso ao que pedem, a manobra da CPMI desenha um claro desvio de finalidade.
