BANQUEIRO É PRESO POR COMANDAR ESQUEMA DE AMEAÇAS E AGRESSÕES - Milícia de Vorcaro teria mirado autoridades e acessado informações sobre diligências

 

Milícia de Vorcaro teria mirado

autoridades e acessado

informações sobre diligências


Grupo ligado ao ex-banqueiro monitorava autoridades, jornalistas e pessoas consideradas adversárias do conglomerado investigado
04/03/2026 | 16h29 


Por Cleber Lourenço

A decisão do Supremo Tribunal Federal que autorizou novas medidas na Operação Compliance Zero revela que autoridades públicas também teriam sido alvo de monitoramento por parte da estrutura paralela ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O documento cita trechos do relatório da Polícia Federal que descrevem a existência de um núcleo dedicado à coleta de informações sensíveis e à vigilância de pessoas consideradas adversárias do grupo investigado.

Segundo os investigadores, o material analisado indica que integrantes da organização discutiam a obtenção de dados pessoais e institucionais de diferentes alvos, incluindo autoridades públicas, jornalistas e indivíduos relacionados às investigações em curso.

O relatório policial aponta que foram identificadas tratativas envolvendo “a obtenção de dados pessoais e institucionais de autoridades, jornalistas e outros indivíduos considerados de interesse da organização”.

A investigação aponta que essa estrutura funcionaria como um braço paralelo voltado à proteção dos interesses do conglomerado financeiro investigado. A Polícia Federal sustenta que o grupo atuava na coleta irregular de informações e no monitoramento de pessoas consideradas críticas ou potencialmente prejudiciais às atividades do grupo.

Nos autos, os investigadores afirmam que o modus operandi identificado apresenta características que remetem a práticas de coerção privada. Em outro trecho citado na decisão, o relatório da Polícia Federal descreve que o grupo mantinha “estrutura de vigilância e coerção privada destinada à obtenção ilegal de informações e à intimidação de críticos”.

“A Turma”

Esse núcleo aparece associado a um círculo restrito de colaboradores próximos ao banqueiro que é mencionado nas investigações sob a denominação de “A Turma”. Segundo a Polícia Federal, esse grupo reunia pessoas responsáveis por levantar informações sensíveis, acompanhar a atuação de adversários e discutir estratégias para neutralizar críticas ao conglomerado financeiro investigado.

Além do monitoramento de pessoas consideradas adversárias, a investigação também aponta que integrantes do grupo teriam obtido acesso indevido a sistemas e informações sigilosas. A decisão cita indícios de circulação de dados provenientes de órgãos de investigação brasileiros e até de organismos internacionais.

De acordo com o relatório policial citado no despacho, foram identificados indícios de acesso a informações “provenientes da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até mesmo de organismos internacionais, tais como FBI e Interpol”.

Para os investigadores, o acesso antecipado a esse tipo de informação poderia permitir ao grupo acompanhar investigações em andamento, identificar diligências policiais e antecipar movimentações de autoridades envolvidas nos casos.

Risco às investigações

A Polícia Federal afirma que a existência dessa estrutura representaria risco concreto ao andamento das investigações, sobretudo diante da possibilidade de interferência na produção de provas, intimidação de pessoas envolvidas no caso e antecipação de diligências.

A Operação Compliance Zero apura suspeitas de crimes contra o sistema financeiro, organização criminosa, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça relacionados ao funcionamento do Banco Master e a operações financeiras conduzidas por empresas ligadas ao grupo investigado.

Segundo a investigação, o conglomerado financeiro controlado por Vorcaro teria estruturado operações complexas envolvendo emissão de títulos, criação de fundos e movimentação de ativos de baixa liquidez. Parte dessas operações teria sido sustentada por recursos captados por meio de instrumentos financeiros oferecidos ao mercado com taxas superiores às praticadas por outras instituições.

A decisão que autorizou novas medidas cautelares destaca que os elementos reunidos indicam a existência de uma organização estruturada, com divisão de funções e atuação em diferentes frentes. Além das operações financeiras sob investigação, os autos mencionam a atuação de um núcleo voltado à obtenção de informações sensíveis e à proteção dos interesses do grupo investigado.

Para os investigadores, os elementos reunidos até o momento indicam que a estrutura investigada não se limitava às atividades financeiras suspeitas, mas também envolvia mecanismos de monitoramento, coleta de dados e pressão contra pessoas consideradas adversárias do grupo.

Vorcaro teve acesso prévio a diligências

A decisão do Supremo Tribunal Federal que autorizou novas medidas na Operação Compliance Zero indica que o banqueiro Daniel Bueno Vorcaro teria tido acesso antecipado a informações sobre diligências conduzidas por autoridades responsáveis pelas investigações do caso.

O documento cita trechos do relatório da PF que apontam registros indicando que o investigado possuía conhecimento prévio sobre procedimentos investigativos em andamento, incluindo informações relacionadas a diligências e autoridades envolvidas nas apurações.

Segundo o material analisado pelos investigadores, Vorcaro teria realizado anotações e mantido comunicações internas com referências diretas a autoridades e procedimentos ligados às investigações.

No trecho citado na decisão, a Polícia Federal afirma:

“Foram identificados registros indicando que DANIEL BUENO VORCARO teve acesso prévio a informações relacionadas à realização de diligências investigativas, tendo realizado anotações e comunicações relativas a autoridades e procedimentos associados às investigações em andamento.”
Para os investigadores, o acesso antecipado a esse tipo de informação poderia permitir ao investigado acompanhar o andamento das apurações e antecipar movimentações das autoridades responsáveis pelo caso.

Segundo a decisão, os elementos reunidos apontam para a possibilidade de que informações sensíveis sobre investigações estivessem circulando entre integrantes do grupo investigado. De acordo com a Polícia Federal, esse tipo de situação pode comprometer a eficácia das diligências e dificultar a produção de provas.

O documento também menciona que o acesso a informações sobre procedimentos investigativos aparece no contexto de um núcleo específico da organização investigada que teria atuado na proteção dos interesses do grupo.

De acordo com o relatório policial citado na decisão, foram identificadas também ordens atribuídas ao banqueiro para a prática de atos de intimidação contra pessoas consideradas prejudiciais aos interesses da organização, incluindo concorrentes empresariais, ex-empregados e jornalistas.

A investigação sustenta que essas ações estariam relacionadas a tentativas de obstrução das investigações.

A Operação Compliance Zero apura suspeitas de crimes contra o sistema financeiro, organização criminosa, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça envolvendo o conglomerado financeiro ligado ao Banco Master.

Segundo a Polícia Federal, os elementos reunidos até o momento indicam a existência de uma estrutura organizada dentro do grupo investigado que atuaria tanto nas operações financeiras sob suspeita quanto em ações destinadas a monitorar adversários e acompanhar o andamento de investigações conduzidas por autoridades públicas. 

https://iclnoticias.com.br/milicia-vorcaro-teria-mirado-autoridades/

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