Ameaça de Vorcaro a Lauro Jardim resgata relato de Bebianno sobre tentativa de sequestro

 


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Ameaça de Vorcaro a Lauro Jardim resgata relato de Bebianno sobre tentativa de sequestro

PF identifica comando de Vorcaro para “dar um pau” no jornalista. Bebianno, em 2019, mencionou plano arquitetado por “pessoa muito próxima” a Bolsonaro

04 de março de 2026, 11:35 h 

247 - A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou prisões na Operação Compliance Zero revelou mensagens em que o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria ordenado uma agressão contra o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo. O episódio trouxe de volta um relato feito em 2019 por Gustavo Bebianno, ex-secretário-geral da Presidência da República morto em março de 2020, sobre uma suposta tentativa de sequestro envolvendo o mesmo jornalista. 

O caso aparece em decisão assinada pelo ministro André Mendonça, relator da Petição 15.556, que analisa investigações da Polícia Federal sobre uma organização criminosa ligada a crimes financeiros, corrupção e lavagem de dinheiro. Entre os elementos citados estão conversas nas quais Vorcaro manifesta intenção de agredir o jornalista após a publicação de conteúdos considerados prejudiciais aos interesses do grupo.

A ameaça registrada nas mensagens

Segundo a decisão do STF, a Polícia Federal identificou diálogos entre Vorcaro e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Felipe Mourão, apontado como responsável pela coordenação de um grupo de vigilância e intimidação dentro da organização investigada.

Nas mensagens analisadas pelos investigadores, os dois discutem reportagens consideradas negativas. Em determinado momento, Vorcaro afirma: 

“Esse lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”.

De acordo com o despacho judicial, Mourão reage positivamente à mensagem e pergunta se poderia executar a ação. Vorcaro responde:

“Sim”.

A decisão afirma que os diálogos indicam a intenção de simular um assalto para agredir o jornalista, dentro de uma estratégia de intimidação contra críticos do grupo investigado.

Estrutura de monitoramento de adversários

Os autos apontam que a organização mantinha um núcleo específico dedicado à vigilância e à coleta de informações sobre pessoas consideradas adversárias.

Esse grupo era conhecido como “A Turma” e atuava no monitoramento de jornalistas, ex-funcionários, concorrentes empresariais e outras pessoas relacionadas às investigações. A coordenação operacional seria exercida por Felipe Mourão. 

Segundo a decisão, integrantes desse núcleo realizavam levantamentos de dados pessoais, monitoramento presencial de alvos e obtenção de informações em bases de dados restritas.

Relato feito por Bebianno em 2019

A revelação das mensagens resgata uma declaração feita em dezembro de 2019 por Gustavo Bebianno em entrevista à rádio Jovem Pan.

Na ocasião, o ex-secretário-geral da Presidência afirmou que uma pessoa “muito próxima” de Jair Bolsonaro (PL) teria tentado sequestrar Lauro Jardim na saída de um restaurante em São Paulo.

“O presidente parece que escolhe a dedo pessoas muito perigosas. Inclusive, há uma pessoa muito próxima a ele que recentemente tentou sequestrar um jornalista do sistema Globo. Pegou o jornalista Lauro Jardim na saída de um restaurante em São Paulo e tentou enfiar o Lauro Jardim dentro de um automóvel, uma coisa meio forçada. O Lauro ficou muito nervoso, muito preocupado”, afirmou Bebianno na entrevista.

Segundo ele, o episódio teria sido comunicado à direção do Grupo Globo e levado ao departamento jurídico do jornal O Globo. A pessoa citada teria sido notificada para não se aproximar mais do jornalista.

Na mesma entrevista, Bebianno também afirmou que o indivíduo mencionado já teria feito ameaças a outros jornalistas.

Episódios distintos, mas com o mesmo alvo

A decisão do STF não relaciona diretamente o episódio mencionado por Bebianno em 2019 com os fatos investigados na Operação Compliance Zero.

Ainda assim, a revelação das mensagens envolvendo Vorcaro recoloca em evidência um padrão de ameaças contra o jornalista citado tanto nas investigações da Polícia Federal quanto no relato feito pelo ex-ministro.

No caso investigado pelo STF, os diálogos indicam que a agressão teria sido discutida dentro da estrutura da organização criminosa apontada pela Polícia Federal, que mantinha um núcleo voltado ao monitoramento e à intimidação de adversários.

A decisão destaca que a existência desse núcleo, somada às mensagens registradas nas conversas entre os investigados, evidencia risco concreto à integridade de pessoas mencionadas nos autos e justificou a adoção de medidas cautelares para interromper as atividades do grupo investigado.

https://www.brasil247.com/midia/ameaca-de-vorcaro-a-lauro-jardim-resgata-relato-de-bebianno-sobre-tentativa-de-sequestro

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