Pedro Sánchez liga vitória de Lula à derrota de Trump nos EUA: “E acontecerá em breve na Espanha”

 


Pedro Sánchez liga vitória de Lula à derrota de Trump nos EUA: “E acontecerá em breve na Espanha”

Chefe do governo espanhol aponta o Brasil como precedente da reação à extrema direita e projeta novo revés nas eleições espanholas de 29 de novembro

Por: Ivan LongoPublicado: 04/11/2026 - às 09h21| revistaforum.


O presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, associou nesta quarta-feira (4) a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil à derrota de Donald Trump nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. Ao celebrar o resultado democrata, o socialista apresentou a eleição brasileira como parte de uma reação internacional à extrema direita e afirmou que o mesmo acontecerá em breve na Espanha, que vai às urnas em 29 de novembro. 


Sánchez dirigiu o recado aos líderes da direita espanhola, Alberto Núñez Feijóo e Santiago Abascal. Em tradução para o português, escreveu:


Ontem, a sociedade americana votou contra as políticas que só empobrecem. Contra o ódio. Contra o machismo. Contra o negacionismo climático e contra os privilégios das elites.

Aconteceu no Brasil.
Acabou de acontecer nos EUA.
E acontecerá em breve na Espanha.

A onda ultra à qual Feijóo e Abascal pretendem se agarrar já não cresce: está desmoronando.

Feijóo lidera o Partido Popular (PP), enquanto Abascal comanda o Vox, de extrema direita. Ao colocar os resultados brasileiro e estadunidense em sequência, Sánchez leva a disputa internacional para a campanha espanhola e apresenta a derrota dos aliados de Trump como um caminho possível também em seu país.

No Brasil, Lula foi reeleito para um quarto mandato em 25 de outubro, ao derrotar Flávio Bolsonaro (PL). O petista terminou a apuração com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% do adversário, segundo a Agência Senado.

“Momento Lula”: Brasil vira referência nas reações à derrota de Trump

A mensagem de Sánchez se soma à repercussão do resultado brasileiro entre influenciadores, eleitores democratas e analistas. Como mostrou a reportagem da Fórum, Lula foi exaltado nas redes durante as comemorações da vitória democrata.

O ativista político e influenciador democrata Isaiah Martin recorreu ao bordão popularizado pelo deputado André Janones ao agradecer aos brasileiros: “Obrigado Brasil por nos mostrar o caminho! Exploooooode!”

Na sequência, Martin publicou: “Deportem Bolsonaro”. A mensagem foi apresentada pela reportagem como um recado a Flávio e Eduardo Bolsonaro, que estão nos Estados Unidos. Eduardo vive no Texas, onde os democratas venceram tanto a disputa pelo governo, com Gina Hinojosa, quanto a eleição para o Senado, com James Talarico.

O apresentador do African Renaissance Podcast, Mbuyiseni Ndlozi, também usou a vitória brasileira como referência ao analisar o resultado americano. “Democratas têm seu Momento Lula! Preços dos alimentos, repressão à imigração, guerra com o Irã (ataques militares não autorizados), além de centros de dados de IA, expulsaram os republicanos da maioria”, escreveu.

A cientista política Pippa Norris, vice-presidente da World Values Survey, colocou o Brasil no início de uma sequência de exemplos de resistência democrática: “Brasil. Sérvia. Israel (talvez). América. A resiliência autocorretiva da democracia”. Em sua análise, destacou o papel dos eleitores comuns na defesa da democracia e a importância das eleições protegidas pelos tribunais.

O senador Bernie Sanders, por sua vez, comemorou o controle democrata das duas Casas do Congresso e defendeu que o partido atue com firmeza em favor das famílias trabalhadoras diante da desigualdade de renda e riqueza. Sua publicação recebeu manifestações de brasileiros que celebravam a derrota de Trump.

Brasil entra no centro do debate eleitoral espanhol

A associação feita por Sánchez também apareceu na fala do ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares. Nesta quarta-feira, antes de uma reunião de chanceleres em Madrid, ele afirmou que a sequência iniciada com a reeleição de Lula e ampliada pela vitória democrata nos EUA deverá continuar na Espanha. Segundo a Europa Press, Albares vinculou essas disputas à escolha entre cooperação e respeito ao direito internacional ou a imposição da força.

O presidente do governo da Catalunha, Salvador Illa, também citou os dois resultados durante uma sessão do Parlamento catalão. Ao responder ao dirigente do Vox Ignacio Garriga, afirmou que o discurso de ódio defendido pelo adversário havia sido derrotado no Brasil e, depois, nos Estados Unidos.

A ex-prefeita de Barcelona Ada Colau, candidata à chefia do governo pela coalizão Frente Amplio, incluiu Brasil, Sérvia e Estados Unidos entre os exemplos de que a população pode vencer a extrema direita e seus aliados entre as oligarquias tecnológicas. Na mesma mensagem, convocou os espanhóis a derrotar Feijóo e Abascal em 29 de novembro.

Outros líderes destacaram o significado da vitória de Lula

A projeção internacional do resultado brasileiro já aparecia em manifestações de outros dirigentes na semana passada, antes das eleições dos EUA.

Em nota divulgada em 26 de outubro, o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, afirmou que o triunfo de Lula teria repercussão além das fronteiras brasileiras. Chamou o resultado de “vitória para o Sul Global” e para as forças progressistas de todo o mundo, segundo o comunicado oficial. Nesta quarta-feira, ao comentar o resultado americano, Ramaphosa disse esperar uma nova fase nas relações internacionais, segundo a Associated Press.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, também atribuiu dimensão regional à reeleição do brasileiro. Na manhã de 26 de outubro, classificou o resultado como uma lufada de ar fresco para a América Latina e o Caribe.

Na Europa, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, celebrou a vitória brasileira como um resultado favorável à democracia e ao multilateralismo, entre inúmeras outras congratulações a Lula feitas por lideranças politicas e chefes de Estado de todo o mundo.

Derrota de Trump muda a relação de forças em Washington

Nas eleições de terça-feira (3), os democratas conquistaram a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado. A nova composição do Congresso, que assume em janeiro, amplia a capacidade da oposição de investigar o governo e bloquear sua agenda. Trump permanece na presidência e conserva o poder de veto, mas enfrentará duas Casas controladas pelos adversários.

O custo de vida, a guerra contra o Irã, as tarifas e as denúncias de corrupção figuram entre os principais fatores que alimentaram a insatisfação dos eleitores. O resultado atingiu também redutos republicanos.

É nessa leitura política dos resultados que Sánchez insere a vitória de Lula: um exemplo de que a extrema direita pode ser derrotada nas urnas e uma referência para a próxima disputa espanhola.

https://revistaforum.com.br/global/pedro-sanchez-vitoria-lula-derrota-trump-espanha/

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