Itália é cobrada sobre possibilidade de revogar passaporte de Flávio Bolsonaro

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Itália é cobrada sobre possibilidade de revogar passaporte de Flávio Bolsonaro

Ministro será convocado ao Parlamento italiano nesta sexta-feira para dar explicação sobre concessão de documentos europeus aos filhos de Jair Bolsonaro
04/11/2026 | 13h50  - iclnoticias



O governo italiano terá de dar explicações sobre o procedimento que utilizou para dar um passaporte do país europeu para Flávio Bolsonaro. Nesta sexta-feira, o Parlamento Italiano colocou o tema em sua agenda e um ministro do governo de Giorgia Meloni será convocado a responder.

A audiência ocorre depois de o deputado Angelo Bonelli ter apresentado, por escrito, uma demanda para que a situação seja explicada. O parlamentar quer saber se o governo tem conhecimento das investigações em curso no Brasil envolvendo Flavio Bolsonaro e quais medidas pretendem adotar para “evitar o risco de que a cidadania italiana se torne, na prática, um instrumento para escapar da justiça em nível internacional”.

Bonelli ainda questiona se o governo pretende avaliar se existem fundamentos para a revogação dos passaportes detidos pelos filhos de Bolsonaro.

Meloni reconheceu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de outubro. Mas, nos últimos anos, a coalizão que governa a Itália conta com Matteo Salvini, vice-primeiro-ministro e líder da extrema direita no país.

Salvini é um aliado de Jair Bolsonaro e, depois do primeiro turno das eleições no Brasil, foi às redes sociais para publicar uma foto abraçando Flávio Bolsonaro e parabenizando o brasileiro pela vitória.

Classificando o senador como “meu amigo”, o líder da extrema direita destacou o resultado como “extraordinário”.

Matteo Salvini e Flávio Bolsonaro

Ao apresentar o questionamento ao governo de Meloni, Bonelli apontou que, em 2020, Flavio e Eduardo Bolsonaro — filhos do então presidente do Brasil, Jair Bolsonaro — solicitaram a inclusão na lista de espera da chancelaria consular da Embaixada da Itália em Brasília para obter o reconhecimento de sua cidadania iure sanguinis (por direito de sangue), apresentando comprovante de residência em Brasília.

Em 8 de novembro de 2022, nove dias após a derrota eleitoral de seu pai, Flavio e Eduardo compareceram à Embaixada para acompanhar o andamento de seus pedidos.

Em 13 de junho de 2025, em resposta à pergunta parlamentar nº 2-00631, o Governo confirmou que Flavio, Eduardo e Carlos Bolsonaro concluíram o processo com êxito e obtiveram a cidadania italiana: Flavio e Eduardo em 2023, e Carlos em 2024.

O deputado destaca que, desde agosto de 2018, a embaixada em Brasília suspendeu o agendamento de atendimentos para o reconhecimento de cidadania, mantendo apenas o registro de interessados ​​na lista de espera.

Em novembro de 2022, os atendimentos que estavam sendo processados ​​referiam-se a solicitações de 2018. “É necessário verificar se os Bolsonaro foram convocados seguindo a ordem cronológica da lista de espera ou se receberam tratamento preferencial em relação aos demais requerentes”, apontou.

Ele lembra que, por meio do Decreto-Lei nº 36 de 2025, o governo Meloni restringiu significativamente o reconhecimento da cidadania jure sanguinis. “Consequentemente, muitos descendentes de italianos não conseguirão mais obtê-lo, ao passo que os filhos de Bolsonaro — que foi condenado no Brasil por tentativa de golpe de Estado — o obtiveram com bastante rapidez”, destacou.

No pedido ao governo Meloni, o deputado destaca o histórico do ex-candidato à presidência:

“O senador Flávio Bolsonaro — candidato derrotado na eleição presidencial de 25 de outubro de 2026 — é alvo de dois inquéritos da Polícia Federal sob a supervisão do Supremo Tribunal Federal. O primeiro, supervisionado pelo ministro Alexandre de Moraes, trata de alegações de lavagem de dinheiro ligadas a empresas de apostas e plataformas de pagamento associadas ao advogado Willer Tomaz, incluindo o possível acesso a contas mantidas por uma entidade offshore; o segundo caso, sob a responsabilidade de André Mendonça, diz respeito ao financiamento do filme “Dark Horse” por Daniel Vorcaro — ex-controlador do Banco-Master —, que está implicado em evasão de divisas, associação criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção”.

Ele ainda lembra que Flávio Bolsonaro foi acusado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro de peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. O processo foi interrompido após o Supremo Tribunal Federal (STF) anular as provas colhidas, sem chegar a uma decisão sobre o mérito.

Primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni – Foto: Simona Granati – Corbis/Corbis via Getty Images

Bonelli ainda afirma que, em 16 de junho de 2026, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou, por unanimidade, Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses de reclusão por coação no curso de um processo judicial, especificamente por tentar interferir no julgamento referente à tentativa de golpe de Estado.

A condenação transitou em julgado em 31 de outubro de 2026 e, em 7 de outubro de 2026, Alexandre de Moraes determinou sua prisão e o cancelamento de todos os seus passaportes brasileiros.

De uma forma mais geral, Bonelli alerta para o uso do passaporte italiano como escudo contra a Justiça.

No requerimento, ele cita o caso da ex-deputada Carla Zambelli — que, após sua condenação no Brasil, afirmou sentir-se “intocável”graças ao seu passaporte italiano. Isso, seguindo ele, “ilustra o risco de que a cidadania italiana possa ser utilizada para escapar da justiça no próprio país”.

Agora, ele quer “todas as informações necessárias para esclarecer quando Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro solicitaram a inclusão na lista de espera da Embaixada da Itália em Brasília, as datas em que foram convocados, quando apresentaram a documentação exigida para o reconhecimento e as datas em que obtiveram a cidadania”.

Ele também cobra respostas sobre quando a Embaixada retomou o agendamento de atendimentos após a suspensão em agosto de 2018, quantos requerentes que haviam entrado na lista de espera anteriormente ainda aguardavam um agendamento naquele momento, se foi providenciado um atendimento prioritário — ou que tenha fugido à ordem cronológica — para os três requerentes.

Em caso de um tratamento preferencial, ele quer saber qual critério e por quem, na Embaixada, isso foi autorizado.

Bonelli ainda quer saber se o governo pretende iniciar inspeções formais sobre a regularidade dos procedimentos seguidos no caso dos filhos de Bolsonaro — a fim de garantir tratamento igualitário a todos os requerentes — e fornecer ao Parlamento informações sobre os resultados de tais inspeções.

No pedido, o governo Meloni terá de responder ainda se foi emitido passaporte italiano para Eduardo e Flavio Bolsonaro, por qual autoridade e em que data, e se eles estão inscritos no AIRE (Registro de Italianos Residentes no Exterior).


https://iclnoticias.com.br/governo-da-italia-questionado-passaporte-flavio/

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