Candidatos mitômanos não entram em entrevistas para esclarecer o eleitorado, mas para sequestrar a credibilidade do jornalismo e dar aparência de informação às próprias falsidades.
Candidatos mitômanos não entram em entrevistas para esclarecer o eleitorado, mas para sequestrar a credibilidade do jornalismo e dar aparência de informação às próprias falsidades.
Diante deles, objetividade não significa tratar mentira e fato como equivalentes. Algumas sugestões que reuni com colegas professores de jornalismo (aqui resumidas, no UOL estão na íntegra):
1. Prepare-se antes: mapeie mentiras recorrentes, reúna dados e antecipe as falsidades.
2. Conteste na hora: uma afirmação falsa não pode seguir adiante como se fosse apenas uma opinião.
3. Use tecnologia: checagem em tempo real, pesquisa e IA podem municiar o entrevistador com ajuda de colegas nos bastidores.
4. Não manchete a mentira: destaque a ausência de evidências, e não a falsidade que o candidato deseja viralizar.
5. Use o sanduíche da verdade: apresente primeiro o fato, depois exponha a mentira e termine reafirmando a realidade.
6. Controle a metralhadora: interrompa avalanches de falsidades e obrigue o candidato a responder.
7. Exija provas: “especialistas dizem” ou “há estudos” não bastam sem nomes, documentos, números e fontes.
8. Não confunda equilíbrio com equivalência: imparcialidade é aplicar os mesmos critérios a todos, não colocar fato e mentira no mesmo nível.
9. Explique o perigo da mentira: falsidades políticas podem alimentar perseguições, provocar mortes ou justificar desmontes.
10. Não premie o mentiroso: evite transformar mentira em audiência e propaganda gratuita.
Quem chama cuidado de censura confunde liberdade de expressão com direito a desinformar. O candidato mitômano espera jornalistas intimidados pela acusação de parcialidade. Quando encontra isso, espreguiça-se. E a responsabilidade não é de uma pessoa ou outra, mas de veículos e do jornalismo.