China dispara como maior destino de vendas brasileiras pós tarifas de Trump
China dispara como maior destino de vendas brasileiras pós tarifas de Trump
As tarifas de Donald Trump contra os produtos brasileiros levou a economia nacional a intensificar ainda mais sua relação com a China. Dados da Câmara de Comércio Brasil EUA – a Amcham – revelam que o primeiro semestre de 2026 foi marcado por um distanciamento profundo da China no ranking dos maiores destinos de exportação do Brasil.
Segundo o levantamento, Pequim comprou US$ 69 bilhões em bens brasileiros entre janeiro e julho de 2026, um aumento de quase 20% em comparação ao mesmo período de 2025.
O segundo maior destino – os EUA – vem encolhendo como mercado para as exportações nacionais. No total, o Brasil vendeu US$ 20,9 bilhões aos consumidores americanos, uma queda de 12,2% em comparação aos primeiros sete meses de 2025.
Os dados apontam que o semestre foi o pior na relação comercial entre os dois países desde 2023.
Entre os bens sobretaxados, a queda é ainda maior e chega a quase 19%. No setor de óleos brutos e petróleo, a queda foi de 25,5%, contra 11% de contração no aço. Café não torrado viu uma queda de 34%. Já o fumo registrou contração de 59,6% em julho, e 59% para madeiras.
A diferença, portanto, entre o que a China representa para o Brasil e o mercado americano chega a quase US$ 50 bilhões. A distância é a maior jamais registrada.
Para observadores, a realidade do tarifaço é que a crise com os EUA vem levando o Brasil ao caminho oposto que a Casa Branca pretendia. Washington não esconde que afastar a influência da China da América Latina é seu principal projeto de política externa para a região.
O que chama a atenção de negociadores é que o Brasil também reduziu de forma importante a compra de produtos dos EUA. Entre janeiro e julho, a queda foi de 10%, para um total de US$ 23 bilhões.
O resultado, ainda assim, tem sido um aumento do déficit brasileiro com os EUA. O saldo favorável aos americanos foi de US$ 2,3 bilhões, 122% a mais que em 2025.
Já os produtos chineses vêm ganhando ainda mais mercado. O país importou US$ 44 bilhões em bens da China nos primeiros sete meses do ano, 8% acima das compras de 2025.
Nos últimos meses, interlocutores do governo de Luiz Inácio Lula da Silva têm alertado os negociadores americanos que a crise comercial entre os dois países tem reduzido o peso dos EUA na economia brasileira e que a tendência não interessaria à estratégia americana de conter o poder chinês.
Lula, de fato, chegou a dar esse recado ao presidente Donald Trump, quando ambos se reuniram em meados do ano em Washington.
Para a próxima segunda-feira, ministros de Brasil e EUA tentarão retomar as negociações comerciais. Ainda que o gesto seja considerado como positivo no Palácio do Planalto, poucos têm esperança de que haja espaço para um acordo comercial antes das eleições presidenciais no Brasil, em outubro.
Para o governo, porém, a esperança é de que esse canal permita que, numa eventual vitória de Lula, as bases para uma nova relação em 2027 comecem a ser traçadas.
Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.
https://iclnoticias.com.br/china-dispara-destino-de-vendas-brasileiras/