China dispara como maior destino de vendas brasileiras pós tarifas de Trump

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Jamil Chade                                                                                                                

China dispara como maior destino de vendas brasileiras pós tarifas de Trump

Dados da Amcham revelam que China comprou US$ 50 bi a mais que EUA em produtos brasileiros em 2026
26/08/2026 | 05h30



As tarifas de Donald Trump contra os produtos brasileiros levou a economia nacional a intensificar ainda mais sua relação com a China. Dados da Câmara de Comércio Brasil EUA – a Amcham – revelam que o primeiro semestre de 2026 foi marcado por um distanciamento profundo da China no ranking dos maiores destinos de exportação do Brasil.

Segundo o levantamento, Pequim comprou US$ 69 bilhões em bens brasileiros entre janeiro e julho de 2026, um aumento de quase 20% em comparação ao mesmo período de 2025.

O segundo maior destino – os EUA – vem encolhendo como mercado para as exportações nacionais. No total, o Brasil vendeu US$ 20,9 bilhões aos consumidores americanos, uma queda de 12,2% em comparação aos primeiros sete meses de 2025.

Os dados apontam que o semestre foi o pior na relação comercial entre os dois países desde 2023.

Entre os bens sobretaxados, a queda é ainda maior e chega a quase 19%. No setor de óleos brutos e petróleo, a queda foi de 25,5%, contra 11% de contração no aço. Café não torrado viu uma queda de 34%. Já o fumo registrou contração de 59,6% em julho, e 59% para madeiras.

A diferença, portanto, entre o que a China representa para o Brasil e o mercado americano chega a quase US$ 50 bilhões. A distância é a maior jamais registrada.

Para observadores, a realidade do tarifaço é que a crise com os EUA vem levando o Brasil ao caminho oposto que a Casa Branca pretendia. Washington não esconde que afastar a influência da China da América Latina é seu principal projeto de política externa para a região.

O que chama a atenção de negociadores é que o Brasil também reduziu de forma importante a compra de produtos dos EUA. Entre janeiro e julho, a queda foi de 10%, para um total de US$ 23 bilhões.

O resultado, ainda assim, tem sido um aumento do déficit brasileiro com os EUA. O saldo favorável aos americanos foi de US$ 2,3 bilhões, 122% a mais que em 2025.

Já os produtos chineses vêm ganhando ainda mais mercado. O país importou US$ 44 bilhões em bens da China nos primeiros sete meses do ano, 8% acima das compras de 2025.

Nos últimos meses, interlocutores do governo de Luiz Inácio Lula da Silva têm alertado os negociadores americanos que a crise comercial entre os dois países tem reduzido o peso dos EUA na economia brasileira e que a tendência não interessaria à estratégia americana de conter o poder chinês.

Lula, de fato, chegou a dar esse recado ao presidente Donald Trump, quando ambos se reuniram em meados do ano em Washington.

Para a próxima segunda-feira, ministros de Brasil e EUA tentarão retomar as negociações comerciais. Ainda que o gesto seja considerado como positivo no Palácio do Planalto, poucos têm esperança de que haja espaço para um acordo comercial antes das eleições presidenciais no Brasil, em outubro.

Para o governo, porém, a esperança é de que esse canal permita que, numa eventual vitória de Lula, as bases para uma nova relação em 2027 comecem a ser traçadas.

Jamil Chade

Jamil Chade

Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.

https://iclnoticias.com.br/china-dispara-destino-de-vendas-brasileiras/

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