“Hitler é tão estimulante”: dirigente de Tarcísio cita líderes fascistas como exemplo de inspiração para liderança

 

Hitler é tão estimulante”: dirigente de Tarcísio cita líderes fascistas como exemplo de inspiração para liderança

Seduc-SP afirma que abriu investigação e que declarações não representam posicionamento da pasta

Por: Raony Salvador


Uma dirigente da rede estadual de ensino de São Paulo foi afastada da função nesta terça-feira (25) após citar Adolf Hitler e Benito Mussolini como referências em uma discussão sobre liderança durante uma reunião com educadores. Roselaine Batalha Silva, responsável pela Unidade Regional de Ensino de Mogi das Cruzes, órgão ligado à Secretaria da Educação do Estado, ocupava um cargo de confiança no governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos).


As declarações foram feitas em uma reunião virtual realizada em 12 de agosto e vieram a público após divulgação do vídeo pelo Diário do Centro do Mundo (DCM). Segundo o veículo, cerca de 32 diretores da rede estadual participaram do encontro.

Durante a conversa, a dirigente afirmou que biografias de diferentes personagens históricos poderiam ser usadas para discutir liderança, incluindo figuras associadas a regimes autoritários. Ao mencionar Hitler, ela disse que o nazista teria sido um “líder excepcional”, apesar de reconhecer o caminho político adotado pelo ditador alemão.

Silva também citou o livro “Mein Kampf”, escrito por Hitler, ao falar sobre capacidade de convencimento e influência. A obra reúne ideias que se tornaram parte da base ideológica do nazismo.

“Um líder não é alguém a quem foi dada uma coroa, sinto informar. Por isso é estimulante ler a biografia, mesmo dos maus. Salazar na Espanha (sic), Mussolini na Itália, Hitler e o ‘Mein Kampf!

‘Mein Kampf’, ‘Minha Vida’ de Hitler, é tão estimulante que, se eu tirar o nome, ele consegue convencer países e jovens e nós até hoje. Por isso foi proibida a sua reprodução. Mas a gente sabe qual era o caminho de Hitler.

Ele era um líder excepcional e ninguém pode negar! Mas não foi dada uma coroa pra ele. Mas a quem foi dada a responsabilidade de sobressair (sic) o melhor que há nos outros. (…)

Em acredito do que a gente faz. Por isso a gente está aqui. Quem acredita e trabalha pode ficar aqui. Posso gostar de você, mas o que eu preciso é do trabalho. O trabalho de acolhimento que tive em uma escola de ensino fundamental vocês não têm noção. (…) Eu não quero discurso, eu não quero justificativa: eu quero um líder“.


A repercussão levou a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) a apresentar uma representação ao Ministério Público de São Paulo contra a dirigente. 

A entidade argumentou que a menção a Hitler não ocorreu apenas como referência histórica, mas dentro de uma apresentação sobre características atribuídas à liderança.

A deputada estadual Professora Bebel (PT-SP) criticou o episódio e afirmou que uma dirigente da área educacional não deveria apresentar ditadores responsáveis por crimes contra a humanidade como exemplos de liderança.

Em nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou que determinou a retirada de Roselaine Batalha Silva da função de dirigente e abriu uma apuração para verificar as circunstâncias das declarações

A pasta afirmou ainda que a fala não representa sua posição institucional e que não compactua com manifestações contrárias aos princípios da educação pública estadual.

O caso segue sob análise dos órgãos responsáveis.

https://revistaforum.com.br/revista-forum/hitler-dirigente-tarcisio/

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