A greve na CPTM, que paralisa hoje as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade e o Expresso Aeroporto, vai além do transtorno aos passageiros. Ela antecipa um tema central na eleição paulista: o impacto das privatizações sobre a qualidade dos serviços públicos.

 leosakamoto                                                                                                                             

Os ferroviários querem o cancelamento da concessão à Trivia Trens após o chabu de 23 de julho ou, ao menos, a manutenção dos empregos. 

Naquele dia, uma falha elétrica provocou incêndio, faíscas, interrupção do serviço e cenas de desespero, com passageiros caminhando pelos trilhos. 

A concessionária havia assumido três dias antes, mas acompanhara a transição por meses. Diante da repercussão, o governo Tarcísio devolveu temporariamente a operação à CPTM.

O alerta é reforçado pelas experiências da Enel e da Sabesp: para cortar custos, concessionárias reduzem equipes experientes, terceirizam serviços e perdem memória técnica. Depois, milhões ficam sem luz, tubulações explodem e trens param.

Tarcísio tentará vender privatizações como sinônimo de eficiência. 

Terá de explicar, porém, por que, sob seu governo, a luz some, a água explode e o trem pega fogo

Quando a propaganda descarrila, não há marqueteiro que a recoloque nos trilhos. 

E o passageiro obrigado a caminhar pela linha também caminha até a urna.

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Jorge Messias