A não denúncia do Estadão, por Luís Nassif....alvo de sempre contra Lula
A rodada atual é significativa. Primeiro, uma saraivada de supostas denúncias. A última foi um terceiro pedido de abertura de inquérito contra ele. Depois, uma pesquisa – em geral, do BTG/Nexus – mostrando avanço de Flávio e recuo de Lula.
Além de Fábio Luiz o alvo principal é Roberta Luchsinger, uma aventureira que se apresentava falsamente como membro da família fundadora do Credit Suisse, e que trabalhava para o tal Careca do INSS, antes que explodisse o escândalo.
Todas as reportagens não apresentam um fato objetivo sequer. Limitam-se a mencionar a abertura de um novo inquérito ou então a repisar no fato de que a lobista Roberta é amiga de Fábio Luiz e bancou uma viagem dele a Portugal para conhecer um sistema de produção de cannabis.
A denúncia contra a lobista
Roberta Luchsinger é uma aventureira. Mostramos aqui desde o momento em que ela se apresentou como filha de fundadores do banco Credit Suisse e doadora de R$ 500 mil para a campanha de Lula.
Nunca foi da família do Credit Suisse e a tal doação jamais chegou a Lula. O máximo que chegou foi ser sobrinha de uma tia que se casou com um financista gaúcho, descendente de suíços. A família toda morreu na queda de seu jatinho em Troncoso, e Roberta sequestrou o pai idoso, que morava no interior fluminense, na esperança de ficar com parte da herança. Mas a herança ficou com a mãe do financista.
Depois disso, ela se casou com um delegado de visibilidade, Protógenes Queiroz, separou-se, mas firmou amizade com Fábio Luiz Lula da Silva.
Vale-se da amizade? Vale-se. Promete facilidades para os clientes? Provavelmente promete. Assim como centenas de outros lobistas que se valem de conhecimentos na máquina pública, ou de amizades pessoais, para exercitar seu negócio.
A corrupção ocorre apenas no fato consumado, no contrato que atropela as normas da licitação, na contrapartida recebida pelo contratante.
A PF levantou que Roberta Luchsinger, denominada sempre de “amiga de Lulinha” fez mais de 40 visitas “fora de agenda” a órgãos do governo.
“Levantamento feito pelo Estadão com base na Lei de Acesso à Informação mostra que, do início do terceiro mandato de Lula até abril de 2024, a lobista esteve 42 vezes em órgãos do governo federal — 41 fora da agenda. Não há registo de visitas depois desse período. O então sócio de Lulinha, Fernando Bittar, participou de dois deles. Em outras 13 oportunidades, ela esteve acompanhada de executivos da Duosystem, do Grupo Bringel, da World Cannabis e da Unigel (nesta última, se apresentou como namorada do diretor de relações governamentais e nora do presidente do conselho de administração da companhia). Nas demais, foi sozinha”.
A notícia mostra o trabalho normal de uma lobista. Não informa sobre nenhuma irregularidade. Se conseguiu a lista de visitas recorrendo à LAI, significa que os encontros não se deram no escurinho do cinema. Em alguns casos – como na visita ao Ministro Wellington Dias – foi fotografada.
No quarto ou quinto parágrafo,a primeira informação sobre contratos fechados:
A única irregularidade explícita é o vazamento, para fins políticos, de informações que deveriam ser mantidas sob sigilo, é o atropelo de normas básicas de direito, o desrespeito a direitos individuais, por veículos que não obedecem minimamente às normas básicas de democracia.
https://jornalggn.com.br/coluna-economica/a-nao-denuncia-do-estadao-por-luis-nassif/

