A conquista do voto feminino no Brasil resistiu à misoginia histórica
Eleições 2026: Mulheres Transformam o Brasil
A conquista do voto feminino no Brasil resistiu à misoginia histórica
Mais de um século depois das primeiras lutas pelo sufrágio feminino, discursos que questionam o direito das mulheres de votar voltam a provocar alerta em 2026
A conquista do voto feminino no Brasil foi resultado de décadas de mobilização, resistência e enfrentamento a uma sociedade que, durante muito tempo, considerou que as mulheres deveriam permanecer afastadas da vida política.
Em 1891, durante a elaboração da primeira Constituição republicana brasileira, o sufrágio feminino foi rejeitado. Entre os argumentos utilizados na época estava a ideia de que as mulheres não teriam capacidade para participar da política e que deveriam permanecer restritas ao ambiente doméstico.
Mais de 130 anos depois, discursos que questionam a capacidade das mulheres de votar voltaram a aparecer no cenário brasileiro. Para pesquisadoras ouvidas pela Agência Brasil, essa repetição histórica revela a permanência de estruturas machistas e pode representar uma tentativa de desestimular a participação feminina na política.
Uma conquista que não aconteceu sem luta
O direito ao voto feminino não foi uma concessão espontânea do Estado. Mulheres organizadas durante as primeiras décadas do século 20 enfrentaram resistência política, ataques da imprensa e diversas formas de ridicularização.
Entre os nomes que marcaram essa trajetória estão Leolinda Daltro, Almerinda Gama e Bertha Lutz, mulheres que participaram ativamente da luta pela ampliação dos direitos femininos.
As sufragistas criaram jornais, organizaram manifestações, promoveram debates e buscaram apoio político para defender a participação das mulheres na vida pública.
Em 1917, por exemplo, uma marcha com cerca de 90 mulheres percorreu o centro do Rio de Janeiro em defesa da causa. A mobilização feminina também buscava ampliar o acesso à educação e ao mercado de trabalho.
O avanço decisivo veio em 1932
Um dos principais marcos dessa trajetória ocorreu em 1932, quando o Decreto nº 21.076 instituiu o primeiro Código Eleitoral brasileiro e reconheceu o direito das mulheres de votar, além de estabelecer o voto secreto.
O direito foi posteriormente consolidado pela Constituição de 1934.
Em 1946, o voto feminino passou a ser obrigatório para mulheres alfabetizadas. Décadas depois, a Constituição Federal de 1988 eliminou a exigência de alfabetização para o exercício do voto.
A trajetória demonstra que a participação política feminina foi construída gradualmente e enfrentando forte oposição.
Mulheres são maioria do eleitorado
Em 2026, segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral citados na reportagem, as mulheres representam mais de 53% do eleitorado brasileiro.
São mais de 83,8 milhões de mulheres aptas a votar, enquanto os homens somam aproximadamente 74,8 milhões.
Esse cenário torna ainda mais relevante o debate sobre a participação feminina nas eleições. Para as pesquisadoras ouvidas pela Agência Brasil, discursos que questionam o direito ou a capacidade das mulheres de votar podem funcionar como uma forma de intimidação e desestímulo à participação política.
Direitos precisam ser preservados
As especialistas destacam que conquistas sociais e políticas não devem ser tratadas como definitivas ou garantidas para sempre.
A história das sufragistas brasileiras mostra que a educação, a organização, a mobilização e a participação política foram fundamentais para que as mulheres conquistassem espaço na sociedade.
A mensagem deixada por essas mulheres continua atual: participar é também uma forma de preservar direitos conquistados.
Mais de um século depois das primeiras batalhas pelo sufrágio feminino, a história brasileira mostra que a cidadania das mulheres foi construída com persistência e resistência.
Preservar essa conquista significa reconhecer a importância de todas aquelas que lutaram para que as mulheres pudessem exercer plenamente seu direito de participar da vida política do país.
