Trens de SP começam a retomar operação após incêndio em vagão - Tarcísio privatizou os trens, vagão pegou fogo e concessionária minimizou o desastre
Tarcísio privatizou os trens,
vagão pegou fogo e concessionária
minimizou o desastre
Estado confirma retomada das linhas da Trivia Trens por 90 dias após crise
Por Cleber Lourenço - iclnoticias
A promessa de que a iniciativa privada assumiria a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM para oferecer um serviço mais eficiente sofreu um duro revés apenas três dias após a transferência da operação. Diante da sequência de falhas, atrasos e do incêndio registrado em um trem na manhã desta quinta-feira (23), a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) determinou que a própria CPTM reassuma temporariamente a operação das linhas por até 90 dias.
A decisão representa uma intervenção incomum na recém-iniciada concessão da Trivia Trens.
Na prática, a empresa privada continua responsável pelo contrato bilionário firmado com o governo paulista, mas precisará novamente do suporte operacional da estatal para manter a circulação dos trens enquanto a agência reguladora investiga as causas dos problemas.
Segundo a Artesp, a medida está prevista no contrato de concessão durante o período de transição operacional.
A CPTM permaneceria acompanhando a concessionária por um ano justamente para situações em que fosse necessária uma atuação emergencial.
A diferença é que essa previsão precisou ser acionada logo nos primeiros dias da operação exclusiva da empresa privada.
A decisão foi anunciada após uma manhã de colapso no sistema ferroviário.
Um problema elétrico interrompeu a circulação das três linhas na região do Brás e provocou um incêndio em uma composição da Linha 12-Safira. Passageiros ficaram presos dentro dos trens, caminharam pelos trilhos e enfrentaram horas de atrasos, superlotação e falta de informações nas estações.
O diretor-presidente da Artesp, André Isper, classificou o que ocorreu como “inaceitável” e afirmou que a prioridade passou a ser garantir um serviço minimamente estável para os passageiros enquanto a agência apura as responsabilidades da concessionária. A agência também anunciou a abertura de processo administrativo para investigar as ocorrências e avaliar eventuais sanções previstas no contrato.
Concessão começa sob pressão
A medida escancara a dimensão da crise enfrentada pela nova operação. A Trivia Trens assumiu oficialmente as linhas na última terça-feira (21), em um contrato estimado em R$ 14,3 bilhões e com duração de 25 anos. Desde então, a operação acumulou falhas praticamente diárias, culminando na paralisação simultânea dos três ramais e na necessidade de retorno da empresa pública que havia acabado de deixar a operação.
O episódio também amplia a pressão sobre o modelo de concessão ferroviária adotado pelo governo Tarcísio de Freitas. A transferência das linhas foi apresentada pelo Palácio dos Bandeirantes como uma medida para modernizar a operação e melhorar a qualidade do serviço. Em vez disso, a primeira semana ficou marcada por sucessivos problemas operacionais que obrigaram o próprio Estado a voltar ao comando do sistema para evitar novos transtornos aos passageiros.
A situação lembra o início da concessão das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, administradas pela ViaMobilidade, que também enfrentaram uma sequência de falhas operacionais, descarrilamentos, problemas elétricos e até incêndios em trens nos primeiros anos da gestão privada. O histórico fez com que o início da operação da Trivia Trens fosse acompanhado com atenção por especialistas e usuários do sistema.
Nos próximos 90 dias, a CPTM voltará a atuar diretamente na operação das linhas 11-Coral, 12-Safira, 13-Jade e do Expresso Aeroporto, enquanto a Artesp conduz a investigação sobre as falhas registradas e define quais medidas serão adotadas em relação à concessionária.
Procurada pela reportagem a ARTESP afirmou que apura, desde o início da manhã desta quinta-feira (23), a ocorrência que afeta a operação das Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, fiscalizando as medidas adotadas pela concessionária para a normalização do serviço e a assistência aos passageiros. A Agência mantém fiscalização permanente sobre a prestação do serviço e adotará as medidas administrativas e contratuais cabíveis.
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