Mendonça autoriza inquérito da PF sobre financiamento do filme Dark Horse

 

Mendonça autoriza inquérito da PF sobre financiamento do filme Dark Horse

Com parecer favorável da PGR, ministro do STF autoriza investigação para apurar a origem e o destino dos recursos ligados à produção sobre Jair Bolsonaro
23/07/2026 | 13h21 

Por Cleber Lourenço

 

A investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse entrou em uma nova fase no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro André Mendonça autorizou a abertura de um inquérito da Polícia Federal para apurar a origem, a movimentação e o destino dos recursos destinados à produção cinematográfica que tem Jair Bolsonaro como personagem central.

A decisão representa uma mudança importante no caso. Até então, o tema tramitava por meio de diferentes manifestações submetidas ao Supremo. Ao todo, foram três pedidos de investigação: um apresentado pela Polícia Federal, outro pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e um terceiro protocolado por um advogado de forma independente, também por meio de notícia-crime.

Apenas o pedido da Polícia Federal recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR) e foi autorizado por Mendonça para prosseguimento.

No caso das manifestações apresentadas por Lindbergh e pelo advogado, um dos argumentos para o arquivamento foi a falta de competência para provocar a abertura de inquérito diretamente no STF. Segundo a avaliação da PGR, notícias-crime desse tipo não devem ser protocoladas na Corte por parlamentares ou particulares, mas seguir os canais institucionais adequados para eventual apuração.

Com a autorização do inquérito, a Polícia Federal passa a conduzir uma investigação formal, com poderes para realizar diligências, requisitar documentos, ouvir testemunhas e aprofundar a análise sobre o fluxo financeiro relacionado ao filme.

O pedido de abertura da investigação foi apresentado pela própria Polícia Federal e recebeu parecer favorável do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Ao acolher a manifestação, Mendonça entendeu que havia elementos suficientes para justificar o aprofundamento das apurações.

A investigação deverá concentrar esforços para identificar quem financiou efetivamente a produção, qual foi o caminho percorrido pelos recursos e qual foi sua destinação final. Entre os pontos que deverão ser examinados estão os valores atribuídos a empresas ligadas ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e a eventual utilização desses recursos em atividades políticas relacionadas ao grupo bolsonarista.

O caso ganhou dimensão nacional após surgirem suspeitas de que recursos privados destinados ao filme poderiam ter sido empregados em outras finalidades, incluindo despesas relacionadas à atuação internacional de aliados de Jair Bolsonaro. A família Bolsonaro nega qualquer irregularidade.

Nova etapa processual

A autorização de Mendonça não significa o reconhecimento da existência de crimes nem antecipa qualquer responsabilização. A decisão apenas autoriza a instauração de um procedimento investigativo, etapa em que a Polícia Federal reúne provas para verificar se houve ilícitos e identificar eventuais responsáveis.

Na prática, a abertura do inquérito amplia significativamente os instrumentos disponíveis para a investigação. Diferentemente de uma notícia de fato ou de uma petição preliminar, o inquérito permite a adoção de diligências mais amplas, como a quebra do sigilo de documentos mediante autorização judicial, o rastreamento de operações financeiras e a coleta sistemática de depoimentos.

O papel da PGR

Um dos aspectos que chamou atenção no caso foi a atuação da Procuradoria-Geral da República.

Embora a PGR tenha defendido o arquivamento da notícia-crime apresentada pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), o órgão manifestou-se favoravelmente ao pedido formulado pela Polícia Federal para a abertura de um inquérito próprio. As demais manifestações, incluindo a apresentada por um advogado de forma independente, também foram consideradas inadequadas para tramitação direta no STF.

A diferença é processual. Na avaliação da Procuradoria, as representações apresentadas por parlamentar e por particular não deveriam prosseguir nos moldes em que foram protocoladas, enquanto os elementos reunidos pela Polícia Federal eram suficientes para justificar uma investigação autônoma sob a relatoria de André Mendonça.

Antes da autorização do inquérito, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, havia definido que o caso deveria permanecer sob a relatoria de André Mendonça por conexão com outros procedimentos envolvendo Daniel Vorcaro e investigações relacionadas ao Banco Master.

Essa definição evitou a distribuição do caso a outro gabinete e concentrou em Mendonça a condução das apurações sobre o financiamento do filme.

O que será investigado

Entre os principais pontos que deverão ser analisados pela Polícia Federal estão:

  • a origem dos recursos destinados à produção de Dark Horse;
  • o caminho percorrido pelo dinheiro até seus destinatários finais;
  • a participação de empresas ligadas a Daniel Vorcaro nas operações financeiras;
  • a compatibilidade entre os pagamentos realizados e os serviços efetivamente prestados;
  • e a eventual utilização dos recursos para finalidades distintas da produção cinematográfica.

A expectativa agora é pela edição da portaria de instauração do inquérito e pelas primeiras diligências da Polícia Federal. A partir desse momento, a investigação entra formalmente em sua fase de produção de provas, etapa que poderá definir o alcance das suspeitas e indicar se haverá pedidos de novas medidas ao Supremo Tribunal Federal. 

https://iclnoticias.com.br/mendonca-autoriza-inquerito-pf-sobre-dark-horse/

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