"Há algo de podre na polícia de SP", aponta Estadão, em dura crítica ao governo Tarcísio
"Há algo de podre na polícia de SP", aponta Estadão, em dura crítica ao governo Tarcísio
Editorial destaca suspeitas de infiltração do PCC na PM paulista e questiona versão oficial sobre troca de comando
24 de abril de 2026, 07:59 hNo texto, o Estadão afirma que a saída do coronel José Augusto Coutinho e a ascensão da coronel Glauce Anselmo Cavalli não podem ser explicadas apenas por “motivos pessoais”, como sustentado oficialmente. Para o jornal, a mudança foi motivada por suspeitas de prevaricação do ex-comandante diante de possíveis ligações entre policiais da Rota — unidade de elite da PM — e o PCC.
O editorial cita depoimento sigiloso do promotor Lincoln Gakiya, considerado uma referência no combate ao crime organizado, que descreveu à Corregedoria da PM um cenário alarmante. Segundo o jornal, há indícios de que policiais teriam repassado informações estratégicas à facção criminosa em troca de milhões de reais, com possível tolerância de superiores hierárquicos.
Entre os episódios destacados, está a gravação de uma reunião com um delator, cujo conteúdo teria sido vendido a integrantes do PCC por R$ 5 milhões. Para o Estadão, caso confirmados, os fatos representam uma “quebra intolerável da confiança pública” na cúpula da polícia ostensiva paulista.
O jornal sustenta que, ainda que não haja comprovação direta de envolvimento de Coutinho nos crimes, a simples hipótese de prevaricação já tornaria sua permanência insustentável. O editorial afirma que o ex-comandante teria sido informado sobre os vazamentos e tido acesso a áudios que embasam as denúncias, sem que esteja claro quais providências foram tomadas.
O texto também menciona denúncias sobre a existência de um possível “núcleo” dentro da PM que atuaria como intermediário entre agentes da corporação e o crime organizado. Segundo o editorial, há relatos de pagamentos ilícitos, proteção a membros do PCC, execução de desafetos e circulação de informações privilegiadas.
Para o Estadão, a substituição no comando da PM e o afastamento de oficiais ligados à antiga gestão representam uma medida necessária de depuração. No entanto, o jornal ressalta que mudanças administrativas não são suficientes sem investigações rigorosas e punição exemplar dos envolvidos.
Ao concluir, o editorial enfatiza que a reputação de excelência da Polícia Militar de São Paulo não pode ser comprometida por práticas criminosas e defende que a integridade dos agentes e o respeito à legalidade são fundamentais para a legitimidade das instituições de segurança pública.
https://www.brasil247.com/regionais/sudeste/ha-algo-de-podre-na-policia-de-sp-aponta-estadao-em-dura-critica-ao-governo-tarcisio
