OCDE prevê que 30% dos empregos serão profundamente transformados pela IA

 

OCDE prevê que 30% dos 

empregos serão profundamente

transformados pela IA




Especialistas alertam que a inteligência
artificial muda tarefas e funções
27/01/2026 | 17h22 

A inteligência artificial (IA) não representa o fim do emprego, mas está redesenhando a forma como tarefas são realizadas, segundo especialistas que participaram da Global Labor Market Conference, realizada na Arábia Saudita. O evento, que reúne autoridades e profissionais de diferentes países, discutiu os impactos da tecnologia sobre o mercado de trabalho e as estratégias necessárias para a adaptação dos trabalhadores.

Stefano Scarpetta, diretor de Emprego, Trabalho e Assuntos Sociais da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), projeta que cerca de 30% dos empregos serão profundamente transformados pela IA. “Mais de 50% das tarefas realizadas nesses empregos poderiam ser executadas pela inteligência artificial. Não há setor que não seja afetado pela tecnologia”, afirmou.

Scarpetta destaca a rapidez com que a IA se consolidou na sociedade: em três anos, mais da metade dos adultos já usou ferramentas como o ChatGPT — um ritmo muito superior ao observado na disseminação do computador pessoal ou da internet. Apesar disso, ele adverte sobre exageros em previsões distópicas: “Somos bombardeados por números e visões sobre o fim do trabalho, mas a realidade é que ainda não sabemos muito”.

Ele observa que, no nível agregado, o emprego permanece elevado em muitos países e que empresas que adotaram IA não registraram redução significativa de pessoal.

Dois cenários possíveis para a IA

Especialistas apontam caminhos distintos para o impacto da IA no mercado de trabalho. Um cenário otimista prevê que a tecnologia expanda possibilidades e crie novas funções. Outro alerta é que os ganhos de produtividade podem concentrar-se em poucas empresas, com menos funcionários.

Independentemente do cenário, há consenso de que a IA já promove mudanças estruturais profundas. O foco, segundo especialistas, deve ser a transição de empregos para tarefas, combinando julgamento humano e capacidade da IA.

Redesenho de funções

Com funções sendo cada vez mais híbridas, o desafio das empresas é definir quais serão os novos cargos de entrada, já que funções mais burocráticas estão sendo automatizadas. O risco, na visão de analistas, não está na eliminação de oportunidades, mas na falta de articulação entre setor privado, governos e instituições de ensino para criar os empregos do futuro.

Scarpetta critica o baixo investimento atual em treinamento voltado para IA. Segundo ele, apenas entre 0,3% e 5% da oferta de qualificação nos países da OCDE é dedicada à tecnologia, e grande parte dos esforços concentra-se no desenvolvimento das ferramentas, não na capacitação prática dos trabalhadores. “O desafio é equipar o trabalhador para que sua mão de obra seja potencializada pela IA”, afirma.

Capacitação e popularização da tecnologia

Empresas de educação e plataformas de ensino online destacam que a familiaridade prévia com a tecnologia pode acelerar a adaptação. A IA permite identificar e validar habilidades de forma ágil, enquanto aumenta a demanda por atualização constante de competências.

De acordo com plataformas globais de aprendizagem, cursos relacionados à IA generativa registraram crescimento expressivo de matrículas, reforçando a necessidade de requalificação.

A tecnologia também possibilita expansão e tradução de conteúdos educacionais, aumentando a acessibilidade e a escala do aprendizado global. 

https://iclnoticias.com.br/economia/ocde-empregos-transformados-pela-ia/

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