Banco Central mantém juros em 15% e indica queda a partir de março

 


Banco Central mantém juros em

15% e indica queda a partir de

março

Juros seguem no maior patamar em quase duas décadas, apesar do sinal de corte
28/01/2026 | 19h01 

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (28), manter a taxa Selic em 15% ao ano, em sua primeira reunião de 2026. Com isso, os juros básicos permanecem no maior nível desde julho de 2006, decisão amplamente esperada pelo mercado financeiro e aprovada de forma unânime pela diretoria da autoridade monetária.

Apesar da manutenção, o comunicado trouxe um sinal relevante de mudança de direção. O Copom indicou que poderá iniciar um ciclo de cortes na taxa de juros já na reunião de março, desde que o cenário macroeconômico evolua conforme o esperado.

“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, afirmou o colegiado.

Juro real segue entre os mais altos do mundo

Mesmo com a sinalização de alívio futuro, o Brasil continua figurando entre os países com os maiores juros reais do mundo. Com a Selic mantida em 15%, o juro real — que desconta a inflação — está em 9,23%, segundo levantamento da MoneYou em parceria com a Lev Intelligence, liderado pelo economista-chefe Jason Vieira.

O ranking considera as 40 maiores economias globais e posiciona o Brasil como o segundo país com maior juro real, apesar de uma leve redução em relação aos meses anteriores. Em dezembro de 2025, o índice era de 9,44%, enquanto em novembro atingia 9,74%.

Cautela externa e moderação interna

No comunicado, o Banco Central destacou que o ambiente internacional segue marcado por incertezas, especialmente em razão de tensões geopolíticas, o que exige cautela adicional por parte das economias emergentes.

No cenário doméstico, o Copom avaliou que os indicadores econômicos confirmam uma trajetória de moderação do crescimento, conforme previsto, enquanto o mercado de trabalho ainda demonstra resiliência. A inflação cheia e os núcleos inflacionários apresentaram arrefecimento nas leituras mais recentes, embora sigam acima da meta estabelecida.

Esse conjunto de fatores sustenta, segundo o Comitê, a necessidade de uma calibragem cuidadosa da política monetária, equilibrando o combate à inflação com os sinais de desaceleração da atividade.

Histórico do ciclo de aperto monetário

O atual ciclo de aperto monetário teve início em setembro de 2024, quando o Banco Central elevou a Selic de 10,50% para 10,75% ao ano, diante de pressões inflacionárias e de um crescimento econômico acima do esperado.

Desde então, a taxa seguiu em trajetória de alta: alcançou 11,25% em novembro daquele ano e encerrou 2024 em 12,25%, já com novas elevações contratadas. Em 2025, os juros avançaram para 13,25% em janeiro, 14,25% em março e 14,75% em maio, até atingir os atuais 15% na reunião de junho, patamar mantido pela quinta vez consecutiva.

Agora, o mercado passa a calibrar suas expectativas para o início de um ciclo de afrouxamento monetário, atento à evolução da inflação, da atividade econômica e do cenário internacional.

Leia abaixo o comunicado do Copom:

O ambiente externo ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica.

Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação.

As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,0% e 3,8%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,2 % no cenário de referência.

Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

O Comitê segue acompanhando os impactos do contexto geopolítico na inflação brasileira, e como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho.

O Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 15,00% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê avalia que a estratégia em curso tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros. O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira. 

https://iclnoticias.com.br/economia/banco-central-mantem-juros-em-15/

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