Ao pedir apreensão de passaportes de Flávio Bolsonaro, PF apontou risco concreto de fuga e suspeita de dinheiro de Vorcaro nos EUA

 


Ao pedir apreensão de passaportes de Flávio Bolsonaro, PF apontou risco concreto de fuga e suspeita de dinheiro de Vorcaro nos EUA

Investigadores citaram estrutura mantida por Eduardo Bolsonaro no exterior, recursos financeiros e possível financiamento do ex-banqueiro para justificar apreensão do passaporte 



247 – A Polícia Federal identificou riscos “concretos e atuais” de fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial de domingo (25), e levantou suspeitas sobre a possível utilização de recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a permanência do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. 


Os elementos fundamentaram o pedido de apreensão do passaporte do ex-candidato e de proibição de sua saída do território nacional, encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).


Segundo o G1, a PF considerou que declarações públicas de Eduardo Bolsonaro incentivando o irmão a deixar o Brasil, a disponibilidade de recursos financeiros expressivos e a existência de estruturas de apoio no exterior poderiam facilitar uma saída do país sob a alegação de perseguição política. 


A preocupação ganhou relevância após Flávio Bolsonaro não entregar seu passaporte dentro do prazo determinado pela Justiça, encerrado às 11h desta terça-feira.


A Polícia Federal também investiga se o senador já deixou o Brasil, apesar da determinação do STF que o impede de viajar ao exterior. Os investigadores procuram esclarecer o paradeiro de Flávio Bolsonaro e verificar eventual descumprimento da decisão judicial.


PF cita Eduardo Bolsonaro e estrutura de apoio nos EUA

Um dos principais fundamentos apresentados pelos investigadores foi a manifestação de Eduardo Bolsonaro, que defendeu publicamente a saída do irmão do Brasil caso ele fosse derrotado na disputa presidencial.


No documento encaminhado a Moraes, a corporação destacou que “em entrevista concedida recentemente nos Estados Unidos, EDUARDO BOLSONARO, irmão do Senador FLÁVIO BOLSONARO, defendeu publicamente que este deixe o país caso não obtenha êxito no pleito eleitoral. Cabe recordar que EDUARDO BOLSONARO foi recentemente condenado pelo crime de coação no curso do processo”.


Na avaliação da PF, a recomendação não deveria ser interpretada como uma declaração isolada. Os investigadores relacionaram o posicionamento de Eduardo à existência de condições materiais e contatos no exterior que poderiam permitir a Flávio permanecer fora do alcance das autoridades brasileiras por um período prolongado.


Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025 e, segundo a investigação, já dispõe de uma estrutura organizada para permanecer no país.


PF investiga possível uso de dinheiro de Vorcaro para manter Eduardo nos EUA


Outro ponto relevante do pedido envolve o destino de recursos financeiros enviados aos Estados Unidos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, por intermédio do doleiro Antonio Freixo.


A Polícia Federal apura se parte desse dinheiro pode ter sido utilizada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro em território norte-americano. A hipótese ainda está sob investigação e não foi apresentada como conclusão definitiva.


No documento, os investigadores afirmaram que “somam-se a isso dois elementos relevantes. O primeiro é que EDUARDO BOLSONARO, ao que tudo indica, já mantém nos Estados Unidos estrutura voltada à permanência de longa duração. O segundo é que permanece sob apuração o real destino dos recursos remetidos aos Estados Unidos por DANIEL VORCARO, por intermédio do doleiro ANTONIO FREIXO. Não está descartada a hipótese de que parte desses valores tenha sido destinada ao custeio da permanência de EDUARDO BOLSONARO em território estadunidense”.


A referência ao dinheiro de Vorcaro acrescenta uma dimensão financeira às suspeitas examinadas pela PF. Para os investigadores, a eventual existência de recursos e de uma rede de apoio estabelecida nos Estados Unidos precisa ser considerada na avaliação do risco de fuga de Flávio Bolsonaro.


Até o momento, porém, a informação apresentada pela corporação não comprova que valores remetidos pelo ex-banqueiro tenham efetivamente financiado Eduardo Bolsonaro.


Advogado investigado com Flávio Bolsonaro está em Miami desde agosto

A PF também destacou a situação do advogado Willer Tomaz, investigado juntamente com Flávio Bolsonaro em um inquérito sobre suspeitas de lavagem de dinheiro.


Tomaz está em Miami, nos Estados Unidos, desde agosto de 2026, após ter sido alvo da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema bilionário de fraudes em benefícios e aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).


Segundo os investigadores, o advogado possui capacidade financeira para sustentar uma permanência prolongada no exterior. No documento, a corporação afirmou que ele “dispõe de recursos financeiros suficientes para permanecer indefinidamente no exterior, caso assim deseje”.


A presença do advogado nos Estados Unidos foi considerada mais um elemento relevante na análise das condições que poderiam favorecer uma eventual saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.



Flávio Bolsonaro não entregou passaporte e PF apura possível saída do Brasil

A decisão que determinou a apreensão do passaporte de Flávio Bolsonaro foi tomada por Alexandre de Moraes na noite de domingo (25), no âmbito do procedimento em que o senador e Willer Tomaz são investigados por lavagem de dinheiro.


Apesar da ordem judicial, o documento não havia sido entregue até as 11h desta terça-feira (27), quando terminou o prazo estabelecido.


O descumprimento da determinação intensificou as suspeitas sobre uma possível tentativa de deixar o país. A Polícia Federal passou a verificar se Flávio Bolsonaro já havia cruzado a fronteira brasileira, mesmo estando proibido de viajar ao exterior.


Derrota para Lula antecedeu decisão do STF

As medidas judiciais ocorreram após Flávio Bolsonaro perder o segundo turno das eleições presidenciais para Lula, realizado no domingo (25).


O presidente foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% obtidos pelo candidato do PL, conquistando seu quarto mandato à frente do Palácio do Planalto.


Flávio Bolsonaro não reconheceu o resultado da disputa. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por sua vez, confirmou a reeleição de Lula e reafirmou a segurança do processo eleitoral brasileiro.

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