O que explica o enterro do ex-líder supremo do Irã, Ali Khamenei, quatro meses depois da morte

 


 Atualizado em 11 de julho de 2026 às 21:21

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, foi enterrado em 9 de julho, em Mashhad, quatro meses após morrer em um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel. O adiamento do funeral ocorreu em meio à guerra e criou um impasse religioso, logístico e de segurança para o governo iraniano. 

Com informações de SuperInteressante.

Khamenei morreu em 28 de fevereiro, no primeiro dia da operação militar contra o Irã, que também matou quatro de seus familiares e mais de 200 iranianos. 

Ele tinha 86 anos e exercia poder praticamente ilimitado no país desde 1989.

O governo iraniano adiou as cerimônias porque os ataques aéreos frequentes tornavam inviável reunir milhões de civis e autoridades em um funeral público. 

A tradição islâmica prevê o sepultamento poucos dias após a morte, geralmente nas primeiras 24 horas, em respeito à dignidade da pessoa.

Um acordo de cessar-fogo firmado em abril entre Irã, Estados Unidos e Israel abriu caminho para o enterro, mas as cerimônias só foram marcadas para o início de julho. 

O intervalo prolongado obrigou as autoridades a manter os corpos preservados até a realização dos cortejos.

Cerimônias reuniram milhões antes do sepultamento em Mashhad

As homenagens começaram em 4 de julho, com procissões públicas em várias cidades do Irã e também no Iraque. 

Milhões de pessoas participaram dos atos, nos quais autoridades recitaram versículos do Alcorão.

Durante os cortejos, parte dos participantes carregou cartazes com mensagens contra os Estados Unidos e Israel. As cerimônias se estenderam até 9 de julho, quando Khamenei e seus familiares foram sepultados no Santuário do Imã Reza, em Mashhad.

O local tem importância religiosa para os xiitas e fica na cidade onde Khamenei nasceu. A organização do funeral exigiu planejamento de segurança e circulação de pessoas para reduzir riscos

de acidentes, como esmagamentos já registrados em outros funerais no país.

O governo iraniano não revelou o método usado para conservar os corpos e afirmou apenas que seguiu as normas legais da religião islâmica. Especialistas apontaram a refrigeração como principal hipótese, por ser permitida em situações excepcionais e retardar a decomposição sem produtos químicos; o embalsamento químico não ocorreu, já que a tradição islâmica proíbe a prática.

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