Existe uma diferença fundamental entre ser ingênuo e ser útil ao adversário.

 leosakamoto                                                                                                                 

Eduardo Bolsonaro, ao sugerir que o Brasil poderia negociar o Pix com Washington, usando o sistema Zelle norte-americano como exemplo, cruzou essa fronteira com desenvoltura. 

E, de lambuja, jogou mais lama na candidatura do próprio irmão, que anda atolado com o apelido de “Tariflávio”

Uma semana após Flávio Bolsonaro visitar Trump buscando ajuda para a sua candidatura, os EUA colocaram o sistema de pagamentos brasileiro na mira, levando o senador a ser responsabilizado por isso nas redes. 

E a resposta de Eduardo foi sugerir que o inegociável é negociável se Lula não estiver no poder.

O Zelle, que Eduardo apresentou como equivalente do Pix nos EUA, é operado por uma rede de bancos privados e não pelo Banco Central de lá e não é ágil como o sistema brasileiro.

 Compará-los como intercambiáveis é como dizer que o SUS e um plano de saúde particular são a mesma coisa porque os dois tratam doentes. 

Mas o problema do ex-deputado federal não é técnico. 

É político, e é grave para o clã Bolsonaro. 

Flávio Bolsonaro está asfaltando sua candidatura presidencial para 2026 sobre a narrativa de que seria capaz de negociar melhor com os norte-americanos. 

E o irmão do candidato aparece em vídeo sugerindo que o Brasil deveria colocar o Pix na mesa de negociação.

 Considerando que os brasileiros preferem perder várias Copas do Mundo do que o Pix, aceitar negociar o Pix é visto como traição.

Flávio Bolsonaro quer mostrar que os Bolsonaro têm acesso ao poder norte-americano. 

Eduardo indicou que há um preço que o clã está disposto a pagar por esse acesso. 

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