Existe uma diferença fundamental entre ser ingênuo e ser útil ao adversário.
E, de lambuja, jogou mais lama na candidatura do próprio irmão, que anda atolado com o apelido de “Tariflávio”.
Uma semana após Flávio Bolsonaro visitar Trump buscando ajuda para a sua candidatura, os EUA colocaram o sistema de pagamentos brasileiro na mira, levando o senador a ser responsabilizado por isso nas redes.
E a resposta de Eduardo foi sugerir que o inegociável é negociável se Lula não estiver no poder.
O Zelle, que Eduardo apresentou como equivalente do Pix nos EUA, é operado por uma rede de bancos privados e não pelo Banco Central de lá e não é ágil como o sistema brasileiro.
Compará-los como intercambiáveis é como dizer que o SUS e um plano de saúde particular são a mesma coisa porque os dois tratam doentes.
Mas o problema do ex-deputado federal não é técnico.
É político, e é grave para o clã Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro está asfaltando sua candidatura presidencial para 2026 sobre a narrativa de que seria capaz de negociar melhor com os norte-americanos.
E o irmão do candidato aparece em vídeo sugerindo que o Brasil deveria colocar o Pix na mesa de negociação.
Considerando que os brasileiros preferem perder várias Copas do Mundo do que o Pix, aceitar negociar o Pix é visto como traição.
Flávio Bolsonaro quer mostrar que os Bolsonaro têm acesso ao poder norte-americano.
Eduardo indicou que há um preço que o clã está disposto a pagar por esse acesso.