Governos não são seus povos. Regimes não resumem culturas.
Você pode ser contra Milei e amar Buenos Aires, denunciar Netanyahu e se divertir em um casamento judaico, condenar o terrorismo do Hamas e defender que a poesia palestina tenha um país. Pode temer Trump e torcer pelos Knicks, rejeitar Putin e admirar a literatura russa, criticar Pequim e se encantar com Shenzhen, questionar o regime de Havana e adorar um bolero cubano. leosakamoto Governos não são seus povos. Regimes não resumem culturas. E há gente lutando por dignidade dentro de todos esses países. Mas pensar assim exige navegar por contradições. Dá mais trabalho do que seguir o berrante político favorito, que divide o mundo entre amigos puros e inimigos descartáveis. Isso importa porque entramos em mais uma eleição brasileira. Em 2022, a ultrapolarização ajudou a produzir uma pilha de corpos. E ela começa antes da faca e do revólver, quando líderes repetem palavras que retiram do outro sua humanidade. Hannah Arendt mostrou isso ao analisar Eichmann. Em vez de um ...