OpenAI alerta Polícia Federal sobre ameaças de morte contra Lula no ChatGPT
OpenAI alerta Polícia Federal sobre ameaças de morte contra Lula no ChatGPT
Empresa de inteligência artificial identificou risco de violência e acionou autoridades policiais e eleitorais no Brasil
247 – A empresa de tecnologia OpenAI alertou a Polícia Federal sobre o comportamento de pelo menos dois usuários que sinalizaram, em conversas com a ferramenta ChatGPT, a intenção de atacar ou fazer ameaças de morte ao presidente Lula (PT), candidato à reeleição, relata a Folha de São Paulo.
A empresa informou às autoridades brasileiras que existem motivos razoáveis para acreditar que os diálogos mantidos com a ferramenta de inteligência artificial envolvem uma “possível emergência com risco de morte ou lesão física grave”.
No início do mês de outubro, a Polícia Federal encaminhou a documentação enviada pela empresa ao Ministério da Justiça para que a pasta tome a decisão sobre a abertura de dois inquéritos policiais — um para apurar supostos crimes de ameaça e injúria, e outro focado especificamente na ameaça direcionada ao presidente da República.
Procurada pela Folha de São Paulo, a empresa declarou que emite alertas preventivos às autoridades sempre que os diálogos registrados indicam risco real e iminente de dano a terceiros. A empresa também informou que notificou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), “em linha com o plano de conformidade eleitoral”.
O Ministério da Justiça e a Polícia Federal foram procurados, mas não se manifestaram sobre o caso.
A OpenAI, o ministério e a PF também não responderam se há outras investigações em andamento envolvendo ameaças a candidatos relatadas por plataformas de inteligência artificial.
Um dos casos detalhados nos documentos envolve mensagens enviadas por um homem ao ChatGPT desde o mês de janeiro.
Em um trecho classificado como sensível pela empresa, o indivíduo relatou que estava no centro de sua cidade em setembro quando avistou o presidente Lula em um palco montado para a campanha eleitoral, a cerca de 400 metros de distância.
Na sequência das interações, o usuário declarou ter vontade de atirar na cabeça do candidato e fez perguntas sobre as consequências do ato, questionando “o que acontece se eu matar o presidente” e “quantos anos eu pegaria [de pena]”. Ele também enviou a foto de um local com uma torre que forneceria um bom ângulo para a execução do ataque.
“Embora o usuário tenha declarado que não agiria e que não possuía uma arma, expressou o desejo de usar um fuzil de precisão, perguntou o que aconteceria se matasse o presidente ou atirasse na cabeça dele, e fez referência a uma rota de fuga, binóculos e um AR-15 com luneta”, destacou a OpenAI no alerta formal sobre o trecho que envolvia a ameaça direta a Lula.
O mesmo indivíduo já havia compartilhado anteriormente fotos de armas brancas e manifestado intenções de agredir familiares e pessoas próximas.
Em outras ocasiões, compartilhou com o ChatGPT símbolos nazistas e afirmou que, caso tivesse recursos financeiros, realizaria um ataque em massa.
Nos diálogos registrados, ele alternava entre negar a intenção de ferir alguém e expressar o desejo explícito de promover ataques violentos, chegando a enviar a receita de um artefato explosivo e a falar sobre atentados a centros médicos.
A Polícia Federal avaliou que o material repassado mostra ameaças explícitas de violência contra terceiros, incluindo o presidente da República, além de menções a armas de fogo, armas brancas, “fantasias violentas” e manifestações favoráveis a regimes autoritários. Os documentos não revelam as respostas fornecidas pela inteligência artificial durante as conversas.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, encaminhou o caso ao ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, para deliberação sobre a instauração de inquérito pelo crime de ameaça, que prevê pena de detenção de um a seis meses ou multa.
No início de outubro, a OpenAI procedeu ao encerramento da conta do usuário e repassou o conjunto de dados à PF, ressaltando no alerta que as informações devem ser avaliadas de forma “independente pelas autoridades policiais competentes”. A empresa ressaltou ainda que o compartilhamento de dados ocorreu para “proteger direitos e bens e combater o uso abusivo dos serviços e sistemas, em conformidade com os Termos de Serviço e a Política de Privacidade”.
Em entrevista recente, o responsável por políticas públicas da OpenAI na América Latina, Bruno Lewicki, afirmou que o Brasil será o grande teste global para o uso de inteligência artificial em processos eleitorais e que servirá de aprendizado para pleitos em diversos países.
Alertas emitidos pela plataforma já resultaram em ações policiais no Brasil.
Em junho, a Polícia Civil prendeu um homem no interior do Espírito Santo sob a suspeita de utilizar o ChatGPT para planejar a morte do próprio filho de 8 anos, com o objetivo de não pagar pensão alimentícia.
A investigação teve início após a empresa notificar a Polícia Federal dos Estados Unidos (FBI) sobre pesquisas frequentes do usuário relativas ao planejamento do homicídio.
O FBI repassou o alerta ao laboratório de operações cibernéticas do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que acionou a polícia capixaba.
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